Mães e Pais na 1ª Pessoa

Rita Mendes 

Barriga Mendinha

Dj Mummy

barriga23

Assumo que tenho 20 minutos para escrever esta crónica. São 15:49 e combinei entregar o bebé às 4 na minha mãe (já me vou esticar no atraso que pode comprometer o resto do dia, tipo comboio de dominó em que uma peça leva todas as outras a cair. Sim é assim tão grave!!!).

De seguida, vou rapidamente para casa escolher o kit da noite e fazer a mini mala de fim de semana, dar uma “limpeza” às músicas das pens, confirmar se os phones estão ou não OK e ainda tenho que ir buscar uns novos à Pionner – que têm andado meio perros, talvez já da kilometragem feita em parceria comigo aí pelas estradas de Portugal -, fazer um rápido download de 2 temas novos que comprei no Beatport, ligar ao pessoal do evento – para combinar umas boleias, as horas e os locais do encontro quando chegar o hotel de hoje, rezar para que o meu carro se aguente sem soluços de maior durante 270 km – que tem estado com os problemas eléctricos típicos dos seus já quase 200.000 km de rodagem. E que rodagem!!!

Chegar, ligar à vovó Clara, saber como está o pirralho, dar a indicação tim tim por tim tim dos truques para o Afonso papar a sopa de cenoura que fiz antes de sair de Lisboa que o puto anda agora armado em caprichoso, tomar um duche maravilha (estes momentos nos hotéis têm, neste momento da minha vida um sabor muito especial, porque podem demorar um pouco mais do que 5 minutos), pintar as unhas de vermelho nos entretantos e enquanto secam as ditas e os meus caracóis “enremoinhados”, dar uns beijinhos ao meu namorado que felizmente me tem acompanhado por estar de férias, voltar a ligar para saber do sono e do banho, organizar o line up e dar uma última vista de olhos no computador, fazer o eyeliner, ligar para todos os quartos para confirmar que todos estão no lobby do hotel às 9 e meia (sim este evento também “é meu” organizo-o e faço a assessoria), descer perfumada e airosa, já com a certeza de que o anti-cerne cobre bem as olheiras de vários meses de noites com menos horas de sono do que me apeteciam realmente… e de me sinto pelo menos 1 ou 2 noites por semana giraça e catita. As noites em que a Mãe vira DJ, RP, figura pública ou afim. Eu gosto. Mas também gosto dos dias sem sono, em que refilo pela falta de tempo, em que o Afonso Luz se torna prioridade entre os meus trabalhos no estúdio, os meus textos e músicas no computador, em que as calças largas e as t-shirts tiram o lugar ao salto agulha e ao top glamouroso e em que a sopa de cenoura cuspida em cima de mim  sabe bem melhor que o meu Jameson – Ginger Alle de sábado à noite.

Bem, eu falei em 20 minutos. São agora 16:12. Hora de seguir para a Vida Airada. Hora de começar a azáfama profissional do fim de semana, despir um capa, vestir a outra e curtir a outra parte da vida. No fundo, não há bem outra parte, percebo eu agora. Ser mãe é isso mesmo. Sejas Dj, empresária, actriz, contabilista, agricultora ou até dona de casa. Ser Mãe está te no coração. E estejas onde e como estiveres, eles – os teus filhos, o Afonso e agora a Matilde que já está na minha barriga – estão contigo, no teu coração e na tua cabeça que, no fundo continua a ser a  mesma de sempre. A diferença é que a palavra “Multitasking” passa agora mesmo a fazer sentido. Se antes eu me sentia tantas pessoas e versões de mim mesma… agora acrescento a versão mais importante: a de ter um filho.

Como me disse há tempos uma amiga: Agora és Mãe. Passaste a ser eterna! E assim, lhe dedico a vida e assim lhe dedico os meus sets, e assim lhe dedico a minha força, paciência, inspiração e  dinamismo !

Agora vou me pisgar. Estou mesmo super atrasada.

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