Atualidade

5 de Fevereiro de 2014

Dia alerta para a alienação parental. Crianças devem ficar fora das zangas.

05.02.2014

Objectivo é alertar e sensibilizar para o fenómeno de crianças alvo de manipulação pelos pais, por exemplo, em situação de divórcio. Dia vai ser assinalado com iniciativas em várias cidades do país.

O Dia Nacional de Alerta para a Alienação Parental assinala-se pela primeira vez esta quarta-feira. Não é ainda um dia oficial, uma vez que, apesar de já ter tido um parecer favorável da subcomissão parlamentar de Igualdade, não foi a votação na Assembleia da República.

A Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos renova o apelo aos partidos.

“Os grupos parlamentares não querem, para já, discutir isto em plenário e, portanto, entendemos que há uma urgência que haja mais discussão sobre a alienação parental, por forma a que os profissionais e a própria comunidade saiba lidar melhor com estes comportamentos e os saiba prevenir, de modo a que as nossas crianças não sejam mal tratadas”, justifica à Renascença o presidente da associação, Ricardo Simões.

A associação lançou uma petição em 2012 para a criação deste dia nacional, mas “o que nos aconselharam foi a comemorar o dia de forma a torná-lo um facto, para que a Assembleia da República tenha mais vontade política para reconhecer oficialmente esse dia”, adiantou Ricardo Simões à agência Lusa.

O objectivo da criação do Dia Nacional de Alerta para a Alienação Parental é sensibilizar para o fenómeno de crianças alvo de manipulação pelos pais, por exemplo, em situação de divórcio. Dos direitos das crianças faz parte o convívio “com toda a família, longe de quezílias e guerras desnecessárias”.

Apesar de existir o Dia Internacional de Consciencialização para a Alienação Parental, comemorado a 25 de Abril, a associação considerou que “era necessário haver um dia nacional”, em que fossem realizadas iniciativas para alertar e consciencializar para a alienação parental.

Ricardo Simões considera não haver um aumento dos casos, mas o fenómeno “não pode continuar a acontecer”.

“Nem todos os conflitos parentais resultam em alienação parental, mas é sistemático este comportamento e não temos nem instituições, nem profissionais suficientes com conhecimento para intervir nesta matéria”, alerta.

A alienação parental “é um comportamento, promovido consciente ou inconscientemente por um dos progenitores ou outro adulto em quem a criança confia, com o objectivo de eliminar ou distorcer a imagem de um progenitor em relação a outro nas situações de separação ou divórcio, conflituoso ou não”, explica a associação.

A escolha do dia tem que ver com o caso de um pai que foi assassinado a 5 de Fevereiro em 2011 pelo sogro, no decorrer de uma visita parental. Na altura do crime, o homicida tinha a neta ao colo, que assistiu assim à morte do pai.

 

Fonte: Rádio Renascença