Mães e Pais na 1ª Pessoa

Filipa Oliveira 

Mini Feijão

Das rotinas de fim de tarde

17h57 entrar na creche a correr. Recebida com um grande sorriso e com um puzzle que ela estava a fazer e que me pediu para a acompanhar. Fico ali a brincar um bocadinho com ela e explico que o pai está à espera, para irmos para casa para a piscina [o banho]. Chegamos a casa, ela vai direita ao quarto brincar e os pais dividem tarefas. Mãe vai lavar e estender roupa, arrumar tudo o que está fora do sítio porque a casa ficou muito desarrumada de manhã com a pressa e dar banho à cria. Pai faz o jantar [arroz de peixe, com o resto do peixe assado que sobrou do jantar de ontem].

Tudo tratado, tiro cria do banho e já temos o jantar na mesa. Jantamos todos e ela pede mais :) um prato de sopa e dois de arroz de peixe depois fica satisfeita. Sobra 1h30 até a deitarmos que passa a correr com os 3 no sofá. Mesa fica por arrumar – fazemos depois de a deitarmos. Aninha-se em nós, abraça-nos e dá-nos beijos repenicados. Põe a minha mão na mão do pai e ri-se e volta a abraçar-nos :)

São quase 21h30, hora do ó ó. Não quer mas tem mesmo de ser. Voltamos a dividir tarefas: um muda a fralda, o outro vai aquecer o leite. Um beijo de boa noite a cada um de nós, uma festinha ao Guga e outra à Banshee e seguimos as duas de mão dada para o quarto. Deita-se e bebe o leite. Diz-me qual é o livro que quer que eu leia. O Ruca como sempre :) hoje escolho um que é também um dicionário de imagens. Reconhece todos os objectos mas como sempre [trapalhona :)] só diz a terminação das palavras. “Buão” (balão), mião (camião), eias (meias), aco (casaco) por aqui fora. Faz jus à expressão “para bom entendedor meia palavra basta” :)

Acabamos o livro, dou-lhe um beijo, ligo-lhe a musiquinha e apago a luz. Pede-me que fique ali com ela “mamã aqui” :) enfio-me debaixo do edredon, damos as mãos, põe um braço pequenino à minha volta e ficamos ali naquele quase silêncio apenas assim :) dou-lhe um beijo na testa e digo-lhe “a mamã gosta muito, muito de ti, és a melhor coisa do mundo”. E ela abraça-me em resposta :) e deixa-se adormecer devagarinho encostada a mim.

São momentos destes, que felizmente se repetem quase todos os dias, que gostava de conseguir eternizar de alguma maneira. Resta apenas a memória e umas palavras escritas para que ela um dia possa saber ou relembrar como era quando tinha 2 anos e 8 meses e adormecia ali naquele aconchego. Sem saber que afinal não era só a mãe que a aconchegava, mas que sobretudo era ela que dava conforto à mãe e que a relembrava ao final dos dias compridos e difíceis a sorte que tem por poder ter momentos destes, quase mágicos

 

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