Mães e Pais na 1ª Pessoa

João Moreira Pinto 

E os Filhos dos Outros

Dar ou não dar a nova vacina contra o Meningococo B?

Na última consulta do Pediatra (sim, os meus filhos vão ao Pediatra), ele recomendou-nos a toma da vacina contra o meningococo B, a Bexsero (assim se chama formulação disponível em Portugal). Tratando-se de uma vacina extra-plano, ou seja, não incluída no Plano Nacional de Vacinação (PNV), está na mão dos pais decidir se querem ou não dar esta vacina aos seus filhos. Talvez por isso, tenho recebido algumas mensagens a perguntar se eu aconselho ou não a toma desta vacina.

Antes demais convém esclarecer que, (tal como acontecia nas gastroenterites), as meningites são causadas por muitos agentes diferentes. As meningites são inflamações das meninges (uns folhetos que recobrem o cérebro e a espinal medula) provocadas por vírus e bactérias. Entre estas últimas, encontra-se a Neisseria meningitidis (ou meningococo) que, por sua vez, tem vários serotipos – A, B, C, Y, W135 e X1.

As meningites por meningococo são responsáveis pela forma mais agressiva desta doença. Ele circula entre nós no trato respiratório dos seres humanos, podendo passar de um portador assintomático para uma criança, deixando-a doente. A forma mais eficaz de controlo da infecção meningocócica é a vacinação. Na Europa, predominam o meningococo B e o C. Para este último, nós já tínhamos a famosa Meningitec, incluída no PNV desde 2006. Muito à custa desta vacina, a chamada doença meningocócica tem diminuído de frequência (0,8 por 100 mil habitantes em 2011). Ainda assim, leva à morte em 5% a 14% dos casos, sendo que 11 a 19% dos doentes sobrevivem com alguma sequela a longo prazo – sequelas neurológicas, perda de audição, alterações cognitivas, cicatrizes cutâneas e amputações. Também à custa da vacina contra a estirpe C. a percentagem de meningococos do tipo B cresceu nos últimos anos, sendo actualmente 72% dos N. meningitidis isolados. É neste contexto que agora surge a Bexsero, para prevenir estes meningococos do tipo B.

[fonte: soc.ucsb.edu]

A vacina testada em laboratório e ensaios clínicos e demonstrou ser imunogénica e segura. Pode ser administrada em simultâneo com as outras vacinas do PNV e também com a pneumocócica. São esperados efeitos secundários, como febre (10 a 15%) e reacções locais (não mais que as vacinas do costume). O esquema de vacinação proposto é o seguinte:

[fonte: spp.pt]

Agora, as más notícias. A Bexsero tem um PVP de €98,36! Os menores de 6 meses de idade, que são os que mais beneficiam da vacina, precisam de fazer 3 doses mais uma de reforço, o que chega a quase €400! Mas de facto esta vacina serve para evitar uma doença realmente grave que pode matar ou deixar graves sequelas nas crianças. Inclusivamente, o presidente da Direcção Geral de Saúde já admitiu que estão a pensar acrescentá-la ao Plano Nacional de Vacinação. Quando? No dia 1 de Junho, a TSF dizia «dentro de meses, a Direcção-Geral de Saúde vai apresentar uma revisão do calendário nacional de vacinação», mas até hoje ainda não saiu nada… Até novas notícias, acho que os pais que tiverem condições financeiras devem abrir os cordões à bolsa e dar esta vacina, especialmente se a criança tem menos de um ano. Os lactentes são os mais afectados por esta doença, logo, são os que mais beneficia com a sua prevenção.

Leitura complementar: Parecer da Sociedade Portuguesa de Pediatria sobre a Bexsero;Artigo sobre Meningite do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga no Educare; Perguntas e respostas do Center for Diesease Control and Prevention (em inglês); Doença Meningocócica Invasiva em Portugal – Relatório do INSA 2011.

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