Mães e Pais na 1ª Pessoa

Lénia Rufino 

Not so fast

Crónicas de Amor e de Guerra: os Irmãos

Ter dois filhos com idades próximas tem tanto de bonito como de enervante.
Os meus têm três anos de diferença. Quando ele chegou à festa ela já entendia muita coisa, já se desenrascava sozinha em quase tudo, já tinha alcançado um nível razoável de independência.
Depois veio ele, um ratinho que precisava de mim quase 24/7. Ela adaptou-se bem à chegada dele, não fez cenas de ciúmes, não regrediu em nada, não causou problemas e apaixonou-se perdidamente pelo irmão.
Têm crescido juntos, interagem cada vez mais, brincam muito tempo sozinhos, ela ensina-lhe coisas, ele faz-lhe perguntas, desafiam-se e acompanham-se. São irmãos e são amigos. E, como todos os irmãos e como todos os amigos, de vez em quando zangam-se.
Voam brinquedos, ele empurra-a, ela empurra-o a ele, ele bate-lhe com um boneco, ela chora desalmada, ele diz que não fez nada e torna a bater-lhe. Um festival.
E ali andamos nós, a servir de árbitro e a tentar sanar a coisa. Acabam sempre por se desculpar, trocam beijinhos e promessas de não voltar a repetir a dose. Só que repetem. Dois minutos depois.
Para agravar a coisa, dormem no mesmo quarto. Ou seja, não dá para mandar cada um para o seu quarto para que se acalmem e descansem. Na verdade, preferimos que resolvam as quezílias deles de preferência sozinhos e no momento em que acontecem. Envolvemo-nos cada vez menos. Mediamos quando achamos que somos mesmo imprescindíveis e que, sem a nossa intervenção, o mais provável é que um acabe no hospital, vítima dos brinquedos do outro (exagero, obviamente!).
Talvez seja às custas disto que temos dois filhos que sabem ceder. São exigentes, são irrequietos mas sabem ceder e aceitar que o outro também tem direitos, que o outro também é importante. Respeitam-se, aceitam-se, acarinham-se. Já se fizeram parte integrante um do outro. Quero acreditar que vão poder sempre contar um com o outro, mesmo quando já não estivermos cá nós para mediar. E é também por isso que tenho a certeza que lhes oferecemos o melhor presente que poderíamos ter oferecido: um irmão.

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