Atualidade

27 de Outubro de 2014

Crianças são o grupo etário em maior risco de pobreza em Portugal

Medidas de austeridade têm um impacto directo no bem-estar dos mais novos, ao nível da saúde, educação e apoios sociais.

As famílias numerosas e monoparentais são as mais afectadas pelas medidas de austeridade que tem vindo a ser tomadas desde 2010.

Os dados são lançados, esta segunda-feira, pela UNICEF portuguesa, num documento que é o primeiro que se debruça especificamente sobre a situação das crianças no nosso país.

Desde 2010, a situação tem vindo a agravar-se com a adopção de medidas de austeridade. São medidas que têm impacto directo no bem-estar das crianças, nos planos da saúde, educação e apoios sociais.

Segundo o relatório do Comité Português para a UNICEF, presidido por Madalena Marçal Grilo, “os dados não deixam margem para duvidas”, o risco de pobreza é mais elevado em famílias com filhos, nomeadamente, em famílias numerosas, com 31% de risco, e em famílias monoparentais, com 41,2%.

Entre Outubro de 2010 e Junho de 2013, o número de casais desempregados aumentou 688%. Os inscritos no centro de Emprego passaram de 1530 para 12.065.

Em 2012, uma em cada quatro crianças em Portugal vivia em agregados com privação material. Ou seja 24% das crianças portuguesas viviam em famílias com dificuldade ou incapacidade de pagar um empréstimo, renda de casa, contas no prazo previsto, ter uma refeição de carne ou peixe a cada dois dias e fazer face a despesas imprevistas.

Em apenas 3 anos, entre 2009 e 2012, mais de 500 mil crianças perderam o direito ao Abono de Família. Prestações que tem um acesso cada vez mais restrito e montante diminuído.

Este estudo mostra também que entre 2010 e o ano passado, se registou uma redução no apoio económico do estado às famílias, que em 2009 já era inferior á media dos países da OCDE.

Este relatório da UNICEF revela que as crianças portuguesas têm consciência de que a crise está a comprometer o seu futuro, antevendo as consequências negativas que esta poderá ter nos seus projectos de formação, emprego e vida familiar.

E que soluções?
São cinco as estratégias e recomendações do Comité Português para a UNICEF, para reverter este cenário:

– A criação de uma Estratégia Nacional para a erradicação da pobreza infantil centrada nos direitos da criança;

– Assegurar que as crianças são uma prioridade política, pedindo o investimento na educação da primeira infância, tornando-a gratuita para os mais carenciados;

– A criação de uma entidade para os assuntos das crianças e da juventude;

– Garantir a participação activa das crianças, sendo ouvidas por governo e sociedade civil em processo decisórios que as afectam;

– O desenvolvimento de um sistema global e integrado de recolha de dados que abranja todos os aspectos da vida das crianças.

Fonte | Renascença