Atualidade

18 de Março de 2014

Crianças devem manter-se longe dos tablets e smartphones

A Academia de pediatras norte-americana Kaiser Foundation, e a sociedade de pediatria canadiana Active Healthy Kids Canada, foram citadas este mês pela terapeuta ocupacional de pediatria Cris Rowan, num artigo publicado no Huffington Post. Neste artigo, podia ler-se que as crianças até aos 2 anos não devem ser expostas a equipamentos eletrónicos; que as crianças entre os 3 e os 5 anos já o podem fazer, mas apenas uma hora por dia; e que as crianças entre os 6 e os 18 anos devem restringir o uso de telemóveis, tablets ou jogos eletrónicos, a apenas duas horas por dia.

Quanto às razões concretas para justificar estes conselhos, elas são 10:

1. Rápido crescimento do cérebro: Entre os 0 e os 2 anos, o cérebro das crianças triplica de tamanho e continua a ter um rápido crescimento até aos 21 anos. Quando esse desenvolvimento é causado pela exposição excessiva à tecnologias, pode gerar défice de atenção, atrasos cognitivos, aprendizagem deficiente, aumento da impulsividade e diminuição do autocontrolo.

2. Atraso no desenvolvimento: A tecnologia restringe os movimentos, o que pode resultar num atraso de desenvolvimento físico das crianças, o que muitas vezes se reflete num desempenho escolar negativo.

3. Obesidade: A televisão e os vídeo-jogos estão associados ao aumento da obesidade. As crianças que têm um destes equipamentos no quarto, têm 30% mais hipóteses de sofrer de obesidade e todas as doenças que lhe estão associadas, como a diabetes. Por sua vez, uma pessoa obesa tem mais probabilidades de vir a sofrer de ataque cardíaco, enfarte e tem uma menor esperança de vida.

4. Privação do sono: 75% das crianças, entre os 9 e os 10 anos, que usam tecnologias nos seus quartos, sofrem de privação de sono e isso acaba por se refletir negativamente nas suas notas escolares.

5. Distúrbios mentais: O uso excessivo de tecnologia está relacionado com o aumento de casos de depressão infantil, ansiedade, dificuldades de relacionamento, défice de atenção, autismo, transtorno bipolar, psicose e problemas de comportamento.

6. Agressividade: Conteúdos violentos podem gerar crianças agressivas. As crianças estão cada vez mais expostas a conteúdos que envolvem violência física e sexual nos media. Nos E.U.A., a violência exibida nos media é já classificada como um Risco para a Saúde Pública, devido à relação que foi estabelecida entre esta realidade e a agressividade infantil.

7. Demência digital: Conteúdos rápidos podem contribuir para défice de atenção, assim como para uma diminuição da concentração e memória. As crianças que não conseguem prestar atenção a algo, não aprendem.

8. Dependência: Ao haver tanta tecnologia ao alcance das crianças, os pais acabam por lhes prestar menos atenção. Por sua vez, na ausência dos pais, as crianças ficam ainda mais “agarradas” à tecnologia e isto pode gerar dependência. Uma em cada 11 crianças, dos 8 aos18 anos, é viciada em tecnologia.

9. Emissões radioativas: Em maio de 2011, a World Health Organization classificou os telefones móveis na categoria 2B (possivelmente cancerígenos) no que diz respeito às radiações. Tendo em conta estes dados, e que o cérebro das crianças ainda está em desenvolvimento, os riscos para as crianças podem ser ainda maiores.

10. Insustentável: As crianças são o futuro, mas não há futuro se as crianças continuarem a usar excessivamente a tecnologia. Os responsáveis por este estudo consideram de extrema importância que algo seja feito para reduzir o uso das tecnologias por parte das crianças.

Fonte: Crescer