Atualidade

9 de Junho de 2014

Crianças devem começar a medir tensão arterial bem cedo

As crianças necessitam de medir com regularidade a pressão (ou tensão) arterial, tal como fazem os adultos, mas devem consumir muito menos sal. “A hipertensão não é uma doença de velhos. O controlo da pressão arterial deve começar cedo, até porque há formas de hipertensão nas crianças que são curáveis”, explicou Jorge Polónia, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, durante a apresentação de um trabalho feito por esta instituição em parceria com a Sociedade Portuguesa de Hipertensão e que esta segunda-feira foi apresentado no Porto.

O trabalho prova que o impacto da redução do consumo de sal e da tensão arterial verificado entre 2003 e 2012 foi “notável”: a mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) diminuiu 46% numa década. A má notícia é que, mesmo assim, Portugal continua no topo da tabela dos países europeus em que a mortalidade por AVC é superior à provocada por enfarte de miocárdio. Ou seja, ainda há muito a fazer para combater este problema.

Os investigadores foram ver como os resultados do estudo PHYSA (Portuguese Hypertension and Salt Study), divulgado em 2013, ajudam a explicar a redução da mortalidade por AVC verificada no país. Concluíram que a diminuição do consumo de sal nos doentes hipertensos, de cerca de 1,6 gramas por dia, entre 2003 e 2012, pode justificar a redução de 14% da mortalidade por AVC. Já a diminuição da pressão arterial na população hipertensa pode justificar a redução de 29% da mortalidade por esta doença.

O problema é que os portugueses continuavam em 2012 a consumir em média 10,7 gramas de sal por dia, quase o dobro daquilo que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Nas crianças, não se sabe o que está a acontecer (por não haver ainda estudos), mas a média de ingestão de sal recomendado é de apenas três gramas por dia. A medição da tensão deve começar por volta dos dois anos, frisou Fernando Pinto, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

De acordo com o estudo, numa década, a taxa de obesidade na população portuguesa aumentou cerca de 8%, passando para 20,4%. O trabalho permitiu ainda identificar factores genéticos associados a um risco aumentado de eventos cardiovasculares e diabetes.

Com uma amostra representativa de 3720 pessoas (entre os 18 e os 90 anos), o PHYSA avaliou a prevalência e controlo de hipertensão, consumo de sal e padrões genéticos relacionados.

Os dados provam que uma parte substancial da população sofre de hipertensão arterial (42,2%,) apesar de ter havido melhorias assinaláveis no tratamento e controlo da doença, entre 2003 e 2012: a percentagem de doentes em tratamento (medicados) passou de 38,9% para 74,9%; a pressão arterial média também baixou, de 13/8 para 12/7 – os valores ideais são 120/80 mm Hg (milímetros de mercúrio); acima de 140/90 mm Hg já se considera estar numa situação de hipertensão.

Fonte | Público