Espaço Família | Como Cresceram

Psicologia

1 de Abril de 2015

Crianças desafiantes ou crianças confusas?

criancas desafiantes

Lá em casa há um miúdo que diz sempre que não.

Não importa qual seja a tarefa, o programa ou o pedido. A resposta é um redondo não que entretanto se faz acompanhar de uma enorme birra em que parece perder a noção de tudo.

Já tentaram evitar determinados locais e situações na esperança de que as birras desapareçam. Mas, invariavelmente e em situações diferentes, acabam por aparecer. Especialmente em espaços com muita gente. Muitas crianças, adultos e muito barulho ao mesmo tempo. É como se, de repente, tudo ficasse tão confuso na cabeça da criança que fosse impossível de controlar.

São estas crianças desafiantes que provocam, na maior parte dos casos, uma sensação de irritação e desconforto nos pais. Desconforto por não conseguirem encontrar uma solução eficaz para aquela birra descontrolada. Irritação por deixarem no ar a ideia de que não há explicação nem razão para aquele comportamento.

Provavelmente, temos crianças desafiantes, sim: a palavra de ordem é NÃO e o comportamento ultrapassa todos os limites do ‘aceitável’. Mas temos também crianças confusas: é que perante uma ordem mal compreendida ou uma situação desconfortável a única resposta que encontram é precisamente uma ‘não-resposta’ na medida em que nos chega sempre muito descontrolada.

E, sabendo isto, que tal experimentar as nossas sugestões?

– Um discurso claro e objectivo. Parece existir, nestas crianças, uma dificuldade de apreensão da mensagem que lhes está a ser transmitida. O foco da atenção acaba por ficar restringido a pequenas partes do discurso que lhes provoquem maior impacto emocional. Não faça dois pedidos em simultâneo.

– Uma coisa de cada vez. Um número elevado de interações em simultâneo pode aumentar a ocorrência de episódios agressivos. Esta dificuldade em regular o que sentem será tão mais difícil de gerir, quanto maior for o número de solicitações do contexto.

– Regras e limites. É importante que os limites e regras seja consistentes e constantes para que a criança consiga organizar-se internamente. O estabelecimento de regras claras, permitirá que a criança possa organizar-se internamente e diminuirá a intensidade dos momentos de desorganização.

– Tranquilizar estas crianças. Nos momentos de maior descontrolo, a criança precisa de ajuda para se acalmar. Não esqueçamos que, por entre uma escalada de episódios agressivos, há uma criança profundamente assustada e que se sente em perigo. O abraço, o toque e um tom de voz calmo poderão ser os seus fortes aliados.

Inês Carvalho Psicóloga Clínica da equipa infanto-juvenil da Mindkiddo – Oficina de Psicologia

O meu filho não colabora nas tarefas domésticas

 

 

5 - oficina de psicologia - logo MS