Atualidade

9 de Abril de 2014

Crianças confundem cápsulas de detergente com gomas

CIAV está a receber mais chamadas por acidentes com detergentes e ambientadores.

A Associação de Defesa do Consumidor (Deco) alertou ontem para o risco de as crianças confundirem as cápsulas de alguns detergentes com gomas. Fátima Rato confirmou ao que estas situações têm chegado ao CIAV ao ritmo de uma ocorrência por semana. Até à data não houve registo de casos graves já verificados noutros países, quer de intoxicação quer de asfixia, que motivaram as autoridades a impor novas regras às empresas ao nível das aberturas das embalagens e apresentação dos produtos. Por lei, não podem ter uma decoração gráfica susceptível de despertar ou estimular a curiosidade das crianças. “Estamos numa fase de transição em que ainda existem alguns produtos no mercado, pelo que os pais devem estar atentos, sobretudo quando estão a pôr a cápsula na máquina e as crianças lhe deitam a mão.”

Além das cápsulas, tem também aumentado a ingestão ou tentativa de ingestão acidental de ambientadores “Cada vez são mais usados e têm um cheiro tentador. Acontece tentarem comer o líquido dos aparelhos de ligar à parede ou os novos produtos de gel para colocar na sanita, que têm cores vivas. As crianças chegam lá facilmente e usam os dedos para tirar e comer”, avisa Fátima Rato.

É entre o primeiro e os quatro anos de idade que mais ocorrem estas intoxicações, especialmente perigosas quando estão em causa produtos cáusticos usados em alguns detergentes. “Na maioria das vezes não chega a haver ingestão porque sabem mal”, diz a médica, que recomenda aos pais atenção redobrada. “Muitas vezes dizem-nos que não percebem como aconteceu. Nestas idades, as crianças aprendem a fazer coisas muito rápido e por vezes os pais não se apercebem que de um dia para o outro os filhos chegam a determinado sítio ou conseguem abrir embalagens mesmo com mecanismos de segurança”.

Acendalhas e pilhas são outros produtos perigosos que as crianças têm à mão em casa e costumam levar à boca. “É frequente comerem cigarros dos maços dos pais mas felizmente vomitam logo”, acrescenta a médica. Os registos atestam a curiosidade sem limites dos miúdos: já foram consultados por pais preocupados por as crianças terem comido fezes de gato, diferentes tipos de papel como prata ou celofane, cinza, mercúrio de termómetros, saquinhos de sílica-gel usados para absorver humanidade e até gás pimenta.

Fonte: iOnline