Atualidade

15 de Outubro de 2013

Crianças aprendem segunda língua com mais facilidade

Foi demonstrada a razão pela qual as crianças, entre dois e quatro anos de idade, têm facilidade em aprender mais de uma língua. Segundo uma nova investigação, este intervalo de idades corresponde a um período de formação do cérebro ideal para diferentes experiências, nomeadamente o aperfeiçoamento da língua.

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Os resultados foram obtidos através de um detalhado ‘scan’ ao cérebro, onde os investigadores observaram que as influências exteriores têm um maior impacto antes dos quatro anos de idade, ou seja, quando as ligações entre os neurónios se estão a desenvolver para processar novas palavras.

Os ensaios foram feitos em 108 crianças com desenvolvimento normal a nível do cérebro e com idades entre um e seis anos. Cada uma delas foi submetida a exames cerebrais para determinar a presença de mielina, a substância que protege todo o circuito nervoso e que se desenvolve no organismo desde o nascimento.

Feita a análise, os especialistas perceberam que a distribuição da mielina só é fixa a partir dos quatro anos, pelo que o cérebro é significativamente mais maleável e absorvente nos primeiros anos de vida.

Por isso mesmo, qualquer influência exterior sobre o desenvolvimento do cérebro é muito mais forte nesta idade, o que explica porque é que introduzir as crianças antes dos quatro anos num ambiente bilingue as torna, facilmente, fluentes em ambas as línguas.

Segundo os investigadores, esta ‘abertura’ cerebral temporal pressupõe que se invista nas habilidades cognitivas nesta altura, uma vez que o impacto é significativamente maior.

“O nosso trabalho indica que os circuitos do cérebro associados à linguagem são mais flexíveis antes dos quatro anos de idade. Tendo isso por base, a intervenção em crianças com atrasos na execução da linguagem deveria ser iniciada antes dessa idade”, refere o líder da investigação Jonathan O’Muircheartaigh, da Kings College, em Londres.

“Isso pode ser relevante para muitos distúrbios de desenvolvimento, como o autismo, em que o atraso na fala é um traço comum no início”, conclui.

Fonte: Boas Notícias