Mães e Pais na 1ª Pessoa

Corrida

Tenho vontade de começar há muito, mas vou sempre adiando.
Hoje não porque saí tarde do trabalho, hoje não porque tenho que fazer em casa. Hoje deveria ir mas estou muito cansada. Hoje também podia ir, mas também estou cansada.
Ontem podia ter ido porque não estava cansada, mas nem me lembrei.

Assim, foram passando os dias. As semanas e os meses.

Fui finalmente correr. Não deixei que o cansaço, o stress, o trabalho e a família fossem desculpa para mais uma vez protelar. Não estive ao jantar mas o pai esteve completamente à altura.

Saí do trabalho a horas. Cheguei a casa, fiz um pequeno lanche, equipei-me e saí.

Estacionei o carro. Procurei a App e iniciei. Objectivo de tempo, já que não fazia ideia como poderia correr a velocidade ou a distância. Comecei devagar. Experimentei as respirações. Procurei respirar confortavelmente. Quando senti o coração começar a querer saltar do  peito abrandei, caminhei. Regularizei as respirações e voltei a correr. Já estava a começar a coordenar melhor a respiração. Corri um pouco mais. Fui alternando entre corrida e caminhada. Sem stress, sem preocupações.

Corri e andei. Andei e corri. O que o coração permitiu. O que as pernas deixaram. Terminei a corrida e alonguei. Alonguei muito as pernas, mas também os braços e as costas. Soube tão bem! No fim senti-me cansada mas leve, senti-me viva!

E não consegui deixar de pensar “O que me impediu de fazer isto mais cedo?!”

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