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Preparação para o parto

7 de Novembro de 2014

Como superar o medo do parto

O nervosismo é natural, mas pode agravar-se e evoluir para um quadro de ansiedade patológica; saiba como amenizar a tensão e chegar ao grande momento mais confiante.

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Dor extrema, sofrimento e complicações médicas são fatores comumente associados ao parto normal. Somam-se a isso os relatos de mulheres que tiveram partos traumáticos e a forma apavorante como esse momento é mostrado em filmes e novelas. O resultado, para grande parte das gestantes, é um quadro de ansiedade e medo durante a gestação.

O que um novo estudo revela é que esse clima de apreensão pode ter efeitos negativos que se estendem até depois do nascimento da criança: segundo a pesquisa, mulheres que sofrem com medo do parto têm três vezes mais hipóteses de desenvolver depressão pós-parto. O trabalho reuniu dados de mais de 500 mil mães na Finlândia, e foi publicado no British Medical Journal (BMJ).

“A pesquisa confirma o que já se vê na prática médica: quando a ansiedade da mulher foge da normalidade, é muito mais provável que a paciente desenvolva depressão pós-parto”, confirma Karina Zulli, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz. “Em alguns casos, a ansiedade deixa de ser natural, por medo do desconhecido, e passa a ser uma doença emocional. Às vezes, é preciso até acompanhamento psicológico ou psiquiátrico”.

Para a médica, a melhor saída para fugir do temor – e das complicações que pode causar – é abastecer-se de informação sobre tudo o que acontecerá no dia do parto. Bem informada, enfrentará menos surpresas e sentir-se-á mais segura.

Por isso, vá conversando com o seu médico ao longo da gestação e pergunte, pergunte muito. “Quanto maior a riqueza de detalhes que o médico trouxer para a paciente, mais tranquila vai ficar. É importante tirar todas as dúvidas, desde o que vai acontecer com o corpo até detalhes como a roupa que vai usar. Não existem perguntas tontas”, sentencia a obstetra.

Ler sobre o assunto e trocar experiências com outras mães também pode ajudar, mas cuidado para não se assustar com os relatos. Lembre-se de que a experiência é diferente para cada mulher, e verifique sempre com o seu médico se o que ouviu é verdade ou mito.

Para ajudá-la, a CRESCER fez um levantamento dos medos mais comuns associados ao momento do parto e reuniu dicas de como contornar o nervosismo. Verifique.

Medo da dor

Não dá para negar: a dor faz parte do parto normal e não há como evitá-la totalmente. O que existe, sim, são formas de lidar com ela para que o desconforto físico não se transforme em sofrimento psíquico. Exercícios, massagens, relaxamento na água e técnicas de respiração são algumas das alternativas para amenizar o incómodo das contrações e podem ser aprendidas em cursos de preparação para o parto.

“A dor mostra à mulher o que está a acontecer e ensina o que fazer com o corpo. Muitas vezes, só o fato de atirar o tronco para a frente e o quadril para trás já alivia a dor, porque favorece a descida do bebé”, diz Eleonora de Moraes, doula e psicóloga.

É importante lembrar que a dor não é contínua. Vem em ondas e tem intervalos durante os quais poderá relaxar. Por fim, tenha em mente que, se a sensação for intolerável, ainda pode recorrer à anestesia.

Medo da anestesia

Embora represente um alívio para a dor, a anestesia também é uma fonte de apreensão para algumas mulheres. Há três tipos mais comuns de anestesias para parturientes: a raquianestesia, aplicada próximo à medula, que tira o movimento das pernas por algumas horas e é mais usada em cesarianas; a anestesia peridural, que não interfere nos movimentos e é mais usada em partos normais e o bloqueio duplo. Nesse caso, uma injeção peridural é aplicada e um cateter fica ligado ao corpo da mulher. Por ele, injeta-se uma pequena dose do anestésico raquidiano. Esse tipo de anestesia tira a dor imediatamente, mas não elimina totalmente a sensibilidade do corpo, que fica apenas reduzida.

Karina Zulli explica que, hoje, tanto a raquianestesia quanto a peridural são procedimentos seguros que não oferecem riscos nem à mãe nem ao bebé. Além disso, a anestesia não dói, exceto pela picada da agulha.

A médica conta que, há uns anos, a agulha da raquianestesia tinha calibre três vezes maior do que o das agulhas usadas hoje, o que deixava uma pequena abertura de comunicação da medula com o ambiente externo. A mulher tinha de ficar em repouso absoluto para evitar que o líquor (líquido cefalorraquidiano) escapasse por este orifício, causando dores de cabeça extremas.

“Hoje, com o avanço tecnológico, chegamos a uma espessura de agulha muito menor e, por isso, a paciente pode movimentar-se tranquilamente após o parto, sem que o líquor escape”, afirma.

Medo de complicações com o bebé

Outra preocupação recorrente entre as gestantes é a saúde do bebé e o medo de que seja prejudicado por complicações durante o parto. Karina Zulli procura tranquilizar as suas pacientes dizendo que vai estar presente, assistindo à paciente o tempo todo. “A presença do médico é importante, porque vai ser o primeiro a saber se o parto normal não puder acontecer, e vai ter tranquilidade para trazer o bebé por outra via, se necessário”, diz a obstetra.

Além disso, se seguir à risca a rotina do pré-natal e os seus exames não mostrarem nenhum problema, os riscos diminuem bastante. O fundamental é ter confiança no obstetra que escolheu e nas recomendações que lhe fizer.

Medo da cesariana

Por fim, algumas mulheres temem não conseguir levar o parto normal até o fim e ter que migrar para uma cesariana no meio do processo. Karina Zulli explica que a cirurgia também evoluiu ao longo dos anos e tem vindo a tornar-se cada vez mais segura.

Segundo a obstetra, o corte, que antigamente era longitudinal, hoje é menor, mais baixo e acompanha as linhas do abdómen. Reduziram-se bastante os riscos de infecção e houve também um avanço nos fios usados para a sutura das camadas, que conferem mais segurança à cicatrização. O pós-operatório pode ser dolorido, mas as medicações ajudam a aliviar o desconforto.

O ideal é que a mulher se mantenha firme no desejo pelo parto normal, mas caso a cirurgia seja mesmo necessária é importante aceitar a mudança e saber que foi o melhor para si e para seu filho. “Pela opinião de mulheres que passaram pelas duas experiências eu noto que, se a mulher foi emocionalmente bem assistida, não terá trauma de nenhum tipo de parto”, conclui a obstetra.

Fonte | Revista Crescer