Espaço Família | O nosso 1º Filho

Psicologia Clinica

1 de Junho de 2016

Como se desenvolve a autoestima

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Antes de mais, o que é a autoestima? A autoestima é a forma como nos vemos e valorizamos, fruto de todos os pensamentos, sentimentos, sensações e experiências que vivenciamos ao longo da vida. Deste modo, a autoestima refere-se ao grau de satisfação pessoal que a pessoa tem de si mesma, aprovando ou desaprovando a forma como vê. Não é algo que possuímos desde o nascimento, começa a formar-se nos primeiros anos de vida, resultando das experiências de vida e relações com os outros.

Na primeira infância, os pais são a principal referência para a criança e a forma como interagem com ela, como a cuidam, como demonstram afeto e o que dizem sobre ela é determinante para a forma como a criança se vê.

Entre os 4 e os 7 anos a criança ainda não tem capacidade para se autoavaliar e está muito dependente da informação que recebe dos adultos para avaliar a sua competência em determinada tarefas. Por isso, é fulcral que pais, educadores e familiares sejam muito específicos quando falam sobre os comportamentos da criança, por exemplo: “Não és nada cuidadoso” ao invés de “Tenta ter mais cuidado quando pintas”, focando o comportamento e evitando generalizar para a criança enquanto pessoa. Além disso, todo o tempo de qualidade passado com ela, lendo uma história, escutando o que tem para dizer, acalmando os seus medos ou tristeza, tem também impacto na construção do seu valor pessoal.

Se a criança se sente aceite pela família, pela pessoa que é, com caraterísticas únicas e especiais, desenvolve sentimentos de aceitação, apreço, segurança, valorização pessoal, que serão a base de uma boa dose de autoestima para o futuro.

Por volta dos 8 anos, tudo se torna mais abrangente e a criança começa a autoavaliar-se nos vários domínios da sua vida (escolar, social, física, pessoal, etc.). As crianças começam a desenvolver cada vez mais o pensamento abstrato, que permite ter não só uma ideia de si, mas também de um EU ideal que gostaria de atingir. O apoio social que a criança continua a sentir, não só dos adultos, mas também dos colegas mais próximos – “eles gostam de mim? Eles valorizam a pessoa que sou?” contribui para o desenvolvimento da autoestima.

Na adolescência vai integrando outros contextos e grupos sociais de influência e aumenta a necessidade de o adolescente se sentir valorizado, por si e pelos outros, uma vez que a autoestima nesta fase da vida depende de forma considerável da perceção de ser aceite e incluído pelos amigos.

Como vemos, a autoestima é um processo dinâmico que se modifica ao longo do desenvolvimento e é adquirida como resultado das experiências de vida. Ir construindo uma boa dose de autoestima é um recurso valioso para ultrapassar os desafios do futuro com sucesso.

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Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia