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Opinião

22 de Setembro de 2014

Como fica o casamento depois de se ter filhos?

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Como fica o casamento depois de se ter filhos?

Pesquisa mostra que o relacionamento é melhor quando não se tem filhos, mas as mulheres sentem-se mais completas quando são mães. Descubra o porquê dessa diferença e veja as maneiras de encontrar o equilíbrio entre a maternidade e a paternidade e o relacionamento amoroso.

Quando um filho nasce, as coisas viram-se de cabeça para baixo. Talvez, por isso, seja tão comum o receio de como o casamento fica. Uma ampla pesquisa britânica da Open University, no Reino Unido, faz com que a pulga fique atrás da orelha das pessoas que pensam assim. Uma entrevista com 5 mil pessoas, entre homens e mulheres, mostrou que os casais sem filhos consideram-se mais felizes no relacionamento. A principal justificação é a dedicação de mais tempo para a manutenção do relacionamento, com apoio, conversa e frases como “eu amo-te”.

Por outro lado, a mesma pesquisa revelou que as mulheres com filhos, apesar de relatarem um casamento mais frio, sentem-se mais completas nos outros âmbitos da vida. Será que uma relação a dois é muito mais suscetível a desaparecer com a chegada de um bebé? O Casamento e filhos são incompatíveis? Felizmente não é bem assim.

A psicóloga e sexóloga Carla Cecarello, da Associação Brasileira de Sexualidade, explica que a maioria dos casais que não têm filhos são casados há pouco tempo. “Tem ainda todo aquele encantamento do início de uma vida a dois. Sente-se a vontade de cuidar da pessoa e fica-se muito mais voltado para o outro do que para si mesmo”, acredita. Essa fase do carinho com o outro, da descoberta, do amor à flor da pele é muito boa e, por isso, algumas pessoas acreditam que pode acabar por se perder com o crescimento da família. Mas não é assim.

Duas esferas diferentes

Nós assumimos alguns papéis no nosso dia a dia que exigem características diferentes de acordo com o ambiente em que estamos: quando se está no trabalho o papel é um, quando se está na casa dos pais, é outro. Com o marido ou a mulher é um terceiro e com os filhos, outro. “Algumas pessoas, especialmente as mulheres, têm dificuldade para separar esses papéis e é comum a sobreposição do papel de mãe e amante”, indica Carla.

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Quem sai a perder é o companheiro, que perde a atenção. O levantamento britânico apontou que os homens têm duas vezes mais probabilidade de sentir falta do contato sexual com as suas parceiras, embora isso, de acordo com os entrevistados, não afetasse o nível de satisfação com o relacionamento.

Será que não afeta mesmo? Em 2002, a Organização Mundial da Saúde incluiu o sexo como um dos pilares mais importantes para a qualidade de vida, ao lado da família, lazer e trabalho. “Não dá para deixar o sexo de parte, tem um peso grande na vida a dois. É por isso que os papéis de mulher-amante ou homem-amante precisam de andar em paralelo com o de mãe e pai. Para que o casamento seja saudável, um não pode anular o outro”, diz a especialista.

A importância da manutenção

A mulher esperou nove meses por aquele bebé, sofreu com o sobe e desce das hormonas, deparou-se com desejos improváveis e viu a sua ansiedade sair do controlo. Tudo para viver uma das melhores sensações do mundo.

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Quando isso acontece, ela se vê encantada e responsável por aquele bebê tão dependente e não mede esforços para fazer o que acha que é certo para o filho e, entre todos os cuidados, choros e descobertas, ela acaba encontrando sua plenitude.

No entanto, não dá para deixar o casamento perdido no meio disso. A psicóloga Mônica Genofre, professora do Instituto de Terapia Familiar de São Paulo (ITFS) ressalta que toda relação precisa de manutenção ao longo do tempo. Isso significa sair para jantar de vez em quando, compartilhar angústias, viajar juntos, dividir as pressões do dia a dia e ter uma hora para conversar sobre tudo. “Independente dos filhos, o casal precisa rever o momento em que estão vivendo e se abrir para fazer adaptações na rotina. A falta de diálogo é muito perigosa, é um dos principais motivos de fim de relacionamento. É por meio da conversa que a gente vai entender o que o outro está sentindo e descobrir qual é a melhor maneira de lidar com as questões do dia a dia”, explica.

Cuidado com a pressão

Outro ponto levantado pela especialista é que é normal, com a vinda das responsabilidades, que o cuidador da criança se torne mais mandão, autoritário e exigente. Aqui vale um cuidado para não transformar o parceiro num catalisador de pressões e cobranças. Frases do tipo ‘você não faz nada direito!’, ‘eu já falei mais de mil vezes’, ‘não aguento cuidar de mais uma criança’, quando repetidas exaustivamente, podem deixar a relação muito pesada. “Colocar todas as nossas expectativas no outro e culpá-lo sempre por nossas frustrações torna a rotina do relacionamento mais complicada”, analisa Mônica.

É claro que qualquer relacionamento está sujeito às brigas – e muita gente defende que é até saudável que elas aconteçam. A questão aqui não é tanto a intensidade ou frequência com que elas acontecem e sim os motivos. Vale a pena discutir? Vale a pena cobrar? Será que eu estou esperando ou cobrando demais? São autorreflexões que podem ser feitas antes ou depois de uma discussão, independente de elas estarem relacionadas aos filhos ou não.

Por fim, de toda essa discussão entre filhos e casamento, o que vale mesmo é que, se há amor, então é preciso muita dedicação para tratar dos problemas e desafios que aparecem ao longo de cada etapa da vida do casal.

O que as pesquisas mostram sobre o sucesso do casamento
Responsabilidade – Investigadores da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, descobriram que os maridos e as esposas são mais felizes quando compartilham as responsabilidades e decisões na criação dos filhos.
Divisão de tarefas – Através de uma parceria entre as Universidade de Utah e de Brigham Young, ambas nos Estados Unidos. Cozinhar, lavar a louça, buscar as crianças, limpar a casa, fazer supermercado… quando tarefas como essas são feitas em conjunto, a relação é mais duradoura. “Quando a mulher percebe que o marido está envolvido com as tarefas, o relacionamento fica melhor para ambos. Fazer atividades domésticas e demonstrar relação com os filhos são coisas que fazem os homens se conectarem com elas”, escreveu Adam Galovan,um dos autores.
Sem zangas – Um estudo da Brigham Young University, também nos Estados Unidos, descobriu que um casamento com mais companheirismo, diálogo e menos discussão ajuda a evitar doenças e permite aos parceiros melhor aproveitamento da vida. De acordo com os investigadores, conjugues/companheiros tendem a encorajar-se uns aos outros de forma a procurarem médicos quando aparecem problemas, dormir melhor, beber menos, apoiar nas horas chatas. Tudo isso reduz o stress e ajuda a ter uma vida mais saudável.

Fonte | Revista Crescer