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Saúde e Bem Estar

5 de Junho de 2015

Como ajudar os bebés a aprender a lidar com as emoções…e com as birras

bebe quarto das brincadeiras

E se você estiver a ler um livro e alguém lho tirar de repente? E se lhe estiver a apetecer ver televisão e lhe disserem que tem de ir tomar banho já? E se lhe apetece comer um bife e lhe puserem à frente um prato de sopa de peixe? Ficaria chateado? Claro! E com razão!

Todos nós temos inúmeras situações no dia-a-dia em que temos de lidar com situações desagradáveis e permitimo-nos reservar algum tempo para lidar com as emoções negativas, seja verbalizando, amuando ou compensando com outras mais positivas. Para os adultos, que já sabem identificar as suas emoções, aprenderam várias formas de poder lidar com elas (tornando-as menos desagradáveis ou mais breves) e que sabem (racionalmente) que há situações que simplesmente não conseguimos mudar, nem sempre é fácil lidar com as emoções. E com as crianças?

Os bebés não nascem a saber identificar as emoções. Nem sequer sabem que elas existem até as sentirem pela primeira vez. Quando se sentem desconfortáveis contorcem-se, fazem caretas e choram. Na realidade, o seu repertório de comunicação ainda é muito reduzido. Quando sorriem acordados pela primeiras vez (com cerca de um mês e de forma biológica) percebem que o outro fica feliz e que reage positivamente, rindo também e brincando. Sorriem mais vezes para repetir a sensação de prazer. E o sorriso social nasce desta interacção. E assim vão alargando o seu repertório de comunicação onde vão depois integrar também sons que imitam e que causam reacções nos cuidadores.

Quando começam a perceber melhor aquilo que lhes causa sensações agradáveis (e que querem repetir ou perpetuar) e aquilo que lhes causa sensações desagradáveis (que querem anular) é normal que reajam negativamente se a situação não correr da forma que quer. Se ele quer ficar com a mãe e esta o deixa na creche, será normal que chore e se agarre a ela. Se não quer comer e lhe põem a comida na boca, é normal que cuspa. Se lhe tiram um brinquedo é normal que bata ou que puxe a si o brinquedo novamente. E se insistirem em fazer aquilo que ele não quer, é normal que grite, que chore, que esperneie e que demonstre que não está nada contente com a situação. Porque, de facto, não está.

Não são só os bebés que têm de aprender a lidar com as emoções negativas, são os adultos que também têm de aprender a lidar com as manifestações dos bebés. Têm de perceber que são normais, que são adaptativas e que são uma oportunidade de aprendizagem.
Têm de aceitar que o bebé tem razão para estar chateado e que, muitas vezes, nada do que eles possam fazer vai alterar a situação (não conseguem arranjar o brinquedo partido, não podem deixar de ir trabalhar e não podem deixá-lo brincar mais tempo). Podem compreender o seu sentimento, dar-lhe um nome e fornecer alternativas para lidar com a emoção: “Eu sei que gostavas de ficar no parque mais tempo, eu também fico chateada por ter de ir já para casa mas precisamos de tomas banho e fazer o jantar.” Não adianta dizer mais nada. É só manter a calma e manter-se lá para o apoiar. Quando ele se acalmar, abracá-lo para garantir o seu amor.

Todos nós precisamos de tempo para lidar com as nossas emoções e esse tempo varia muito de pessoa para pessoa. Com os bebés é igual. Uns demoram mais tempo a acalmar e outros menos. Uns gritam mais e outros menos. Uns verbalizam, praguejam e batem e outros não. Importa que os adultos se mantenham sempre calmos, que tenham presente que é um processo de aprendizagem difícil e que uma postura compreensiva e descontraída ao lidar com a situação vai ajudar muito o bebé.

Não adianta descontrolar-se (como ensinamos o bebé a controlar-se se gritarmos e batermos?), não adianta afastá-lo de nós (estamos a adicionar mais uma emoção negativa á que ele já tem), não adianta tentar fazê-lo parar de qualquer outra forma. Se a emoção está lá, ele precisa manifestá-la e não reprimi-la. Queremos ensiná-los que podem manifestar as suas emoções, mesmo as negativas, para que juntos possamos encontrar soluções e lidar com elas. Não queremos ensiná-los a escondê-las por medo de uma palmada ou de um castigo.
Queremos ensiná-los que estamos cá para eles, sempre. Nos risos e brincadeiras. Mas também nas chatices, nas frustrações, nos desesperos e nos choros. Sempre com muito amor.

Quarto das Brincadeiras