Mães e Pais na 1ª Pessoa

Mónica Santana Lopes 

A Mulher é que Manda

Com tanta violência, o que nos salva é um abraço

Olá, olá! Com tanta violência, o que nos salva é um abraço. Nas últimas semanas fomos presenteados com uma série de acontecimentos bastante violentos, sobre os quais ainda não me tinha aqui pronunciado.

Para começar, a história do vídeo com a cena de bullying no liceu. Claro que não é novidade as cenas de violência nas escolas, entre adolescentes, o que me choca é a facilidade com que isso acontece dentro de uma escola, sem que ninguém dê por isso, o silêncio das pessoas que passam, filmam ou assistem e nem pensam em ir apresentar queixa e a violência gratuita das miúdas protagonistas do vídeo… Mas na minha opinião, neste caso o bullying não terminou aqui, publicar este vídeo nas redes sociais é também um acto de violência, ou não será uma humilhação para a vitima saber que um país inteiro o está a ver naquela situação? Não será também violência, querermos fazer justiça pelas próprias mãos ou o tipo de comentários que vi por aí relativamente aquelas miúdas? Numa sociedade evoluída, a justiça faz-se em locais próprios, chamam-se tribunais. Ou vamos voltar ao século passado fazendo justiça na praça publica, tal como foi feita “on-line”?! Quando vi o vídeo o meu primeiro pensamento foi “tenho de publicar isto”, mas depois pensei “não”, não vou contribuir para esta onda de violência gratuita e divulgar o vídeo não é vantajoso para a vitima, por isso não o publiquei aqui no blog. No fundo bastou-me pensar breves instantes e não me deixar render ao impulso a que este fenômeno das redes sociais nos empurra.

Depois destes acontecimentos, chegaram os do fim-de-semana, nas comemorações do Benfica. Desde que me lembro, comemoram-se as vitórias dos campeonatos e outras manifestações publicas no Marquês do Pombal, mas o que não percebo é o que comemorar tem a ver com partir montras, atos de violência e violência gratuita. Muitos culpam o álcool, (o facto de haverem muitas pessoas bêbadas), eu culpo a falta de civismo e de educação presente nos dias de hoje. A cereja no topo do bolo, foi a cena do polícia a espancar um homem em frente do seu próprio filho. Muitos dizem que não sabemos o que ele estava a dizer ao polícia, estaria a chamar-lhe nomes feios e que até lhe terá cuspido. Pergunto, “E então?” Isso é justificação para um policia bater em alguém? Pode prendê-lo, claro que sim, agora bater-lhe?! Ainda por cima estando ele acompanhado de uma criança, acho inadmissível um responsável pela ordem e segurança comportar-se desta forma, descontrolada!

O que ainda nos salva e nos transmite a esperança de que tanto precisamos é vermos imagens como esta, em que mais uma vez é o abraço de um polícia e um ato de humanidade a lembrar-nos das nossas melhores qualidades.

Sinceramente, cada vez tenho mais medo da sociedade em que as minhas filhas estão a crescer!

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