Mães e Pais na 1ª Pessoa

Catarina Beato 

Dias de uma Princesa

Com ou sem mamas

Antes de mais, eu sou uma acérrima defensora da amamentação. O leite materno é o melhor alimento do mundo e as mulheres que decidem amamentar por tempo prolongado têm direito a ser respeitadas e defendidas na sua opção. Amamentei durante mais de três anos e parei no momento em que o meu filho quis. Foi a nossa escolha. Mas tenho o mesmo grau de defesa da liberdade de cada mulher na forma como cada mulher é mãe. Existem exceções, a quem nem sequer chamo mãe, mas as mulheres fazem, de certeza, o melhor possível. Amamentar não define uma mãe, não a torna melhor ou pior.

Posto isto, perante a notícia de que “as trabalhadoras são chamadas a consultas de saúde ocupacional e propõem-lhes que esguichem leite para poderem continuar a ter redução do horário”, a minha primeira reação foi de raiva. Seria rapariga para lhes ter comprovado os factos não fosse o leite materno ter propriedades curativas que eles não merecem (e eu ter deixado de amamentar há uns meses).

Como em tudo na vida, depois dos sentimentos mais explosivos fiquei a pensar naquilo. Primeiro que tudo, não querendo recorrer a verdades católicas de “que o justo paga pelo pecador”, sinto a mesma raiva por quem pede a uma mulher que esprema as mamas como sinto por cada mulher que apresenta um atestado falso.

Mas o problema não está aí. Pedir prova de que uma mulher amamenta, para além do atestado médico, é violento e estúpido. Assim como ter que ir pedir um atestado médico também não deveria ser necessário. O direito à presença do pai ou da mãe, o direito a acompanhar o crescimento dos filhos é a maior medida de incentivo à natalidade que pode existir. Simplifiquemos: ter um horário flexível, ou reduzido, perante a existência de filhos devia ser um direito. Ponto. Para o pai ou para a mãe. Com ou sem mamas pelo meio.

Blog | Dias de uma Princesa