Mães e Pais na 1ª Pessoa

Catarina Beato 

Dias de uma Princesa

Com ou sem leite nas mamas.

Já escrevi sobre isso: homens e mulheres devem ter direitos iguais mas (mas, importante “mas”) é necessário ter em consideração que são fisicamente diferentes. Hoje falo dos direitos dos pais e das mães e a conclusão é exatamente a mesma: igualdade.

Recentemente veio à discussão pública o aumento da licença de maternidade para os seis meses para permitir a amamentação exclusiva até essa idade, de acordo com a recomendações da Organização Mundial de Saúde. Eu, que dei de mamar em exclusivo até aos 7 meses e, depois de uma instrução dos alimentos sem pressa nenhuma, mantive a amamentação até ao desmame natural (para quem não esteja familiarizado com a expressão: até a criança perder o interesse e não querer mamar mais) até aos três anos e meio, acho que este argumento não faz sentido nenhum.

Falamos de coisas completamente diferentes: os direitos que uma mulher que esteja a amamentar deve ter (porque sendo o único ser vivo capaz de o fazer deve ser protegida nessa condição) e os direitos dos pais e de uma criança que acaba de nascer (ou de ser acolhida no caso da adoção).

As licenças pagas pelo Estado por nascimento de filhos chamam-se – e muito bem – licença de parentalidade, direitos do pai e da mãe. Esteja uma mulher a amamentar ou não, um recém-nascido deveria estar em ambiente mais protegido nos primeiros meses de idade. Independentemente das inúmeras e bem sucedidas histórias de bebés pequeninos em berçários, está provado que até aos dois anos as crianças não têm capacidades relevantes de socialização. Pai e mãe – e, na minha opinião, os avós também poderiam estar incluídos nessa possibilidade, deveriam ser pagos pelo Estado para, da forma que achassem melhor, estarem com os filhos nos primeiros 24 meses (não são todos ao mesmo tempo, é um de cada vez). Num mundo ideal seria possível encontrar soluções alternativas como trabalho a partir de casa ou em part-time.

Esta questão é totalmente independente da amamentação. Eu, que defendo o leite materno como o melhor alimento do mundo para um recém-nascido, não posso aceitar o argumento do vínculo. Um bebé que não mame e cuja mãe vá trabalhar quando ele tem 15 dias, ficando entregue aos cuidados do pai, está ligado à mãe exatamente da mesma forma que o meu filho que ficou comigo em casa até aos três anos, a mamar. Um filho adotado não mama.

O vínculo depende de muitas coisas, não da quantidade de tempo ou de leite.

Ainda sobre o leite (porque defendo realmente que o leite materno é o melhor do mundo), uma mulher que dê de mamar deve ser protegida em termos de direitos. E isso reflete-se em flexibilidade de um horário que lhe permita ir a casa ou ao berçário dar de mamar, ou que lhe permita entrar mais tarde ou sair mais cedo. Sem provas de veracidade absurdas mas sem abusos utilizando estes argumentos. Acredito que, se fosse permitido aos pais gerir os primeiros 24 meses da vida de um filho, nenhuma mulher faria uso abusivo do horário de amamentação (mesmo não estando a amamentar).

Sabemos que estes assuntos mexem nos cofres do Estado e na organização dos recursos humanos das empresas mas, sobre isso, cabe-me apenas repetir:

o aumento da taxa de natalidade é uma necessidade absoluta de um país que se quer desenvolvido e sustentável. Com ou sem leite nas mamas.

Crónica Dinheiro Vivo

foto: Tiago Figueiredo

Catarina Beato

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