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Psicologia

28 de Outubro de 2014

Choro: entenda as razões para o seu filho começar a chorar em cada fase

O seu filho cresce e descobre o poder do choro. Saiba como agir de acordo com a idade da criança

choro

Depois do primeiro aniversário, a tendência é o seu filho trocar as lágrimas por palavras. Ainda assim, choros são frequentes e as causas, variadas. Chorar faz parte do crescimento emocional e funciona como um desbloqueio sentimental. Entenda as razões para a criança começar a chorar em cada fase. Mas não esqueça que, agora, já sabe fazer manha e é quem vai dar o limite.

De 1 a 2 anos
Nesta fase, a criança ainda usa fraldas, os dentes estão a nascer e, muitas vezes, não quer dormir. As causas da maioria dos choros deixam de ser fisiológicas e tornam-se psicológicas. Apesar de estar a aprender a falar, só consegue expressar os sentimentos com lágrimas. Isso ocorre porque ainda não tem maturidade emocional, portanto lida mal com raiva, angústias e frustrações. Sente-se o centro do universo e acha que pode qualquer coisa. Este período é conhecido por mudanças repentinas de humor, egoísmo acentuado e crises de birra, fazendo com que o seu filho protagonize cenas clássicas como atirar-se para o chão para conseguir um brinquedo.

O que fazer:
– Na hora da birra, o seu filho não vai ouvir as suas razões para negar o objeto de desejo dele. O melhor é distraí-lo, mudando o foco para outro brinquedo ou convidando-o a comer um gelado.

– Se precisar de se ausentar por alguns dias, grave a sua narração das histórias favoritas dele. Ouvir a sua voz vai acalmá-lo.

– Quando a criança fizer algo errado, explique com uma frase simples porque é que o comportamento dela é inaceitável. Por exemplo, se tirar um enfeite de mesa, não diga “não” – o que levará a criança às lagrimas. Diga que o objeto pode partir-se e machucá-lo, portanto não pode mexer.

De 3 a 5 anos
Já está na escola, tem maior autonomia e entende melhor os limites. Começa a relacionar-se com indivíduos de fora do círculo familiar, como a professora e os colegas de classe. Nesta fase, tende a aprender a defender-se sozinho e a não controlar os acessos de raiva. É guiado pelo pensamento mágico. Se a mãe o deixa no colégio, pode entender que foi abandonado por ela. Se os pais discutem, tende a achar que a culpa é dele. O seu filho já tem consciência de conflitos e injustiças, portanto é bom explicar com clareza o que acontece ao seu redor. Vai expressar a própria personalidade nesta fase, porém não está pronto para ouvir “não”. Choros falsos, com as famosas “lágrimas de crocodilo”, são frequentes e servem para manipular os pais.

O que fazer:
– Chora quando precisa separar-se de si, seja para ir à escola ou na hora em que sai para trabalhar? Não prolongue a despedida. Dê um beijo, um abraço e despeça-se com alegria. Seja firme, não olhe para trás nem volte para ver como o seu filho está.

– Já entende o que é certo e errado, portanto pode e deve explicar os limites. Por exemplo, se quiser um carrinho de controlo remoto que custa uma fortuna, diga que pode colocar na lista do Pai Natal ou esperar até ao aniversário.

– Use objetos de transição em situações novas para a criança. Se for colocá-la na escola ou deixá-la por um tempo na casa de um parente, incentive-a a levar o urso de peluche favorito. Isso dar-lhe-á segurança.

– Se sempre chora pelo mesmo motivo e não consegue convencê-lo de que está errado, experimente inventar uma história com personagens fictícias que vivem a mesma situação. O seu filho pode entrar no conto, identificar-se com o protagonista e entender o comportamento que deve ter.

De 6 a 10 anos

O seu filho está a desenvolver o pensamento lógico e gosta de se comportar como adulto. Até o choro tem causas parecidas com as dos pais: conflito, aborrecimento, etc. Fala e entende as próprias emoções, por isso chora menos e com objetividade, ou seja, por causa de uma dor física ou emocional. A birra, nesta fase, apresenta lágrimas acompanhadas de agressividade.

O que fazer:
– Na crise de choro, aproxime-se do seu filho e faça contacto olhos nos olhos. Fale com firmeza. Dependendo da situação, abrace-o. Se for birra, explique os motivos, pois já é maduro para entender.
– Jamais diga que está grande demais para chorar. É melhor deixá-lo expressar as emoções em vez de, literalmente, engoli-las.

As três regras-chave

1 Incentive-o a falar dos sentimentos. Faça isso verbalizando as próprias experiências e perguntando como se sentiu perante momentos diversos.

2 Não desvalorize o choro da criança. É importante que saiba que você entende os motivos, ainda que não concorde.

3 Estimule os comportamentos que gosta, como quando o seu filho divide o brinquedo com o amigo, e ignore os que não aprova, como choramingos.

Fonte | Revista Crescer