Atualidade

23 de Maio de 2014

Casos de automutilação nos jovens aumentam

Os casos de automutilação nos jovens estão a aumentar e o pedopsiquiatra Fernando Santos alerta para a necessidade de os profissionais estarem atentos aos sinais, mesmo quando estes não forem a principal razão da consulta.

O tema da automutilação vai ser abordado amanhã nas conferências do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (CADIn) sobre “Adolescência e Transição para a Vida Adulta”, na qual participa Fernando Santos. Este psiquiatra da infância e da adolescência considera que têm aumentado as queixas e consultas por causa desta prática que pode pôr em risco a vida, nomeadamente pela forma como a lesão é feita. Os antebraços, as coxas e o abdómen são os locais em que os jovens e adolescentes mais se cortam, por serem “sítios que, embora se fácil acesso, se podem esconder e tapar”. O especialista sublinhou que estes sítios criam características que podem funcionar como sinais indicadores, tais como a roupa que tapa o corpo, mesmo no verão, e a recusa em ir à praia.

Segundo Fernando Santos, a automutilação é “um ato solitário, embora estejam descritas situações potenciadas por grupos”. De uma maneira geral, adiantou à “Lusa”, o recurso à automutilação visa lidar com situações que os jovens atravessam: ansiedades, frustrações, grandes instabilidades. “A pessoa corta-se para canalizar o pensamento para a dor física, pois nessa altura o desconforto emocional desaparece”, disse. O pedopsiquiatra sublinha que quem se automutila tem “determinadas características em termos emocionais”, sendo habitualmente pessoas com tendência para o isolamento”.

Fonte | Pais&Filhos