Espaço Família | Como Cresceram

Psicologia

2 de Agosto de 2014

Cada vez mais sozinhos!

A 0914

Com o decorrer dos tempos parece que a mensagem, de que as famílias, crianças e jovens, se sentem cada vez mais sozinhos, ainda que rodeados uns pelos outros, poderá estar relacionado com o avanço da tecnologia, o aparecimento regular de novos gadgets. Se por um lado favorecem a estimulação de novas aprendizagens, por outro, permitem que as pessoas se tornem menos reais, mais desligadas, numa construção de mundos individuais, atrevendo mesmo a dizer virtuais. Esta é uma realidade que parece ser cada dia mais evidente, ainda que apesar da insistência em argumentar “não, isso não é bem assim”.

Em contexto clínico, é comum os adolescentes partilharem que “estou sozinho e nunca me tinha apercebido disso….”, constatando que as centenas de amigos que fazem parte da rede social Facebook, ou outras, assim como todos os seguidores do Twitter, não passam apenas de um conjunto de desconhecidos, a quem não se abraça, sorri, se aperta a mão ou se cruza na rua. E como chegam a esta reflexão? Quando se sentem mais tristes e a precisar de um Amigo, lhes faltou um Olhar nos Olhos. Quando apesar de passarem horas a conversar online com os amigos, estes não fazem parte da sua festa de aniversário.

Já pensou quanto tempo do seu dia dedica aos gadgets? Às novas tecnologias? Quanto do seu dia é partilhado nas redes sociais ao invés de ser partilhado entre os elementos da família?

É imperioso que pais e filhos possam abdicar de algum tempo por dia longe das novas tecnologias e disfrutem de atividades em conjunto, como passear, brincar, jogar à bola, ou mesmo jogos de tabuleiro, estar com amigos, aproveitando desta forma de uma interação mais autêntica, em que um abraço, um beijo, uma aperto de mão, um Olá estão presentes.

Não desperdice mais tempo, dedique tempo à construção de relações, deixe de estar sozinho e aproxime-se de pessoas reais que também estão sozinhas, mas que podem ainda não ter tido a oportunidade de pensar sobre isso. Uma sugestão, como ponto de partida, é assumir que as novas tecnologias o podem estar a impedir de se sentir verdadeiramente acompanhado.

Maria João Matos

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – área infantil e juvenil da Oficina de Psicologia

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