Espaço Família | O nosso 1º Filho

Psicologia Clinica

5 de Maio de 2014

Birras e birrinhas? Gerir comportamentos difíceis

O mundo é um convite à exploração e a descoberta exige energia inesgotável.

Sinto-me excitado, motivado e entusiasmado por saber mais e mais, por isso custa-me quando me pedem para ir descansar.

Quero experimentar fazer e descobrir coisas novas, por isso custa-me quando me dizem que não posso ser cientista.

Brinquedos a voar. Choro e gritinhos. Pés a bater no chão. Caras vermelhas. Nãos e mais nãos.

Habitualmente, este tipo de comportamentos surge por volta dos dois anos e acontece enquanto expressão de frustração, numa fase em que a criança procura ser crescida e fazer como os crescidos. Por ser pequena, a criança ainda não consegue expressar verbalmente a sua irritação e frustração, não possuindo competências para as manifestar de forma mais adequada.

A criança sente que é cada vez mais capaz e que controla várias coisas em si o no mundo, o que a leva a testar limites, incluindo os dos pais. É neste momento que a conscistência surge como ferramenta fundamental a ter na sua mochila de pai/mãe. Quando a criança testa limites, ela não quer provocar ou aborrecer o adulto. Quando testa limites a criança quer perceber como funciona o mundo, quer saber o que é o certo e o errado, quer descobrir o que é capaz de fazer. Por este motivo, importa que o adulto se mantenha calmo, paciente e que defina e ajude  criança a seguir regras de forma justa e consistente.

Respire fundo e…

Minimize situações de conflito. Por exemplo, sabendo que as horas de repouso são fundamentais para promover o bom humor dos mais pequenos, evite saídas à hora da sesta ou do sono da noite. Se optar por ir àquele jantar com os amigos ou fazer as compras antes dos amigos chegarem para o lanche e optar levar a criança, pense antecipadamente em várias formas de a manter entretida.

Escolha que “batalhas” quer travar. Foque-se no essencial. Seja rigoroso com rotinas do sono e segurança no carro. Seja flexível quanto à ordem dos pratos nas refeições, no dia em que a criança quer começar pelo prato principal, comer depois a fruta e deixar a sopa para o fim.

Ofereça escolhas limitadas, em alternativa a questões abertas. Num dia de chuva, em vez de “o que queres calçar?”, pergunte “Hoje está a chover. Queres calçar as galochas azuis ou as botas castanhas?” Por um lado, a criança sente-se mais confiante a autónoma por poder escolher, por outro lado o adulto gere melhor o tempo de escolha quando a criança habitualmente parece ter dificuldade em cooperar.

Quando identifica uma birra a emergir, procure distrair a criança ou redireccionar a sua atenção para outro objecto/assunto/local.

Elogie a criança sempre que age de acordo com o esperado. Por um lado está a aumentar a probabilidade desses “bons comportamentos” voltarem a acontecer, por outro lado, está a ajudar a criança a desenvolver uma auto-imagem positiva.

Dedique momentos do dia de atenção plena à criança. Ela recordará com maior facilidade o tempo que brincou com ela e as brincadeiras que fizeram juntos, do que se a roupa estava ou não passada a ferro ou se havia muita ou pouca loiça para lavar.

Procure responder à questão: “O que estará a criança a tentar dizer com este comportamento? “O que está ela a pedir?”

… E pense: é uma fase. Passe por ela, e ajude a criança a passar por ela, com confiança e de sorriso no rosto.

 

Inês Afonso Marques

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – área infanto-juvenil da Oficina de Psicologia

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