Espaço Família | O nosso 1º Filho

Psicologia Clinica

2 de Julho de 2014

“Birras à mesa, já aconteceu?”

birras às mesa

A hora da refeição é muitas vezes sinónimo de birras e recusas por parte das crianças. O “não gosto” e o “não quero” sucedem-se numa ladainha e os níveis de ansiedade de pais (e filhos) tendem a subir em flecha e, por vezes, como numa bola de neve, a situação só se agrava ao longo do jantar.

Quantos de vós já se viram a braços com a pergunta, “mas porque é que ele na escola come tudo sozinho e em casa é assim?”. E nós respondemos, na escola há todo um ritual pensado para promover a autonomia das crianças na hora da refeição, não há adultos disponíveis para ajudar cada um a comer e há o apetecível recreio como meta a atingir. Como transpor para casa este ritual? Ora, aqui está a primeira dica: Jantar à mesa e em família.

Sabemos que os nossos horários nem sempre o permitem, e compatibilizá-los com a hora de deitar as crianças pode ser uma verdadeira epopeia. A verdade é que ao transformarmos a hora da refeição num momento de convívio da família veremos o nosso esforço recompensado.

Ao jantar com os filhos estamos a oferecer um modelo de como se comportar na hora da refeição e como se relacionar com o próprio ritual da alimentação. Ao mesmo tempo, e estando também os pais a jantar ou almoçar, promovemos a autonomia da criança na gestão da sua própria refeição.

Mais ainda, o jantar pode ser um momento prazeroso de convívio e um verdadeiro espaço de comunicação e de reforço de vínculos afetivos. É a oportunidade para contar novidades boas e menos boas, partilhar conquistas e, enfim, estar juntos antes de “tocar a sineta” dos vídeo jogos e da televisão assim que se pousa o talher de sobremesa.

Uma outra dica importante é evitar a todo o custo o recurso a brinquedos, desenhos animados ou outros distrativos (válido para crianças e adultos) durante a hora da refeição, agilizando assim a mesma e tornando possível a interação com os restantes elementos da família. Mesmo as crianças mais pequeninas devem ser habituadas a focar-se no momento da alimentação pelo que este é. Quando introduzimos outros estímulos não promovemos este enfoque na relação com a alimentação e consequentemente estamos a afastarmo-nos da autonomia desejada, bem como reforçamos um comportamento indesejado cuja resolução será cada vez mais penosa.

Outra estratégia é envolver a criança, à medida do que são as suas capacidades em cada etapa de desenvolvimento, na preparação do momento da refeição, por exemplo pondo a mesa. Assim, estamos a gradualmente enviar uma mensagem que dispõe o corpo para o que se vai passar a seguir, como que “preparar o apetite”.

Esperamos com estas sugestões ajudar a tornar a hora da refeição um momento agradável em família.

Helena Almeida

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – área infanto-juvenil da Oficina de Psicologia

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