Atualidade

5 de Junho de 2015

Bailarinas que se tornaram mães: um bom equilíbrio

No ballet, qualquer alteração no corpo pode dar cabo da carreira. Um novo livro reúne três exemplos de bailarinas que arriscaram ser mães e tornaram-se melhores em palco.

“Em geral, as prima ballerinas começam a dançar por volta dos três anos. Aos 11 sabem que é isso que querem fazer da vida e aos 15 já o praticam. Pos isso, quando chegam aos 25 ou aos 30, dançar é tudo o que sabem fazer. É aquilo que são. É a sua identidade, o seu sucesso, o seu contributo para o mundo.” Lucy Gray, fotógrafa, explica assim ao The Cut quão importante é o trabalho na vida de uma bailarina — um trabalho que depende de um corpo sempre de menina, de peito liso e magreza. Nada das curvas de uma mulher adulta, na sua idade fértil (algumas perdem mesmo a menstruação).

Decidir ser mãe no preciso momento em que a carreira de uma bailarina está no auge é portanto um ato de coragem, sublinha Gray, autora do livro Balacing Acts, lançado nos Estados Unidos em março, e onde se reúnem os retratos de três bailarinas da San Francisco Ballet. Durante 14 anos, Lucy Gray acompanhou Kristin Long, Tina LeBlanc e Katia Waldo: mães a dançar e bailarinas a aprenderem a maternidade.

Quando começou este trabalho de folgo, Gray pensava que ia contar a história de como era difícil para estas mulheres continuarem a afirmar-se profissionalmente sendo mães. Mas a história acabou por ser outra: “tiveram melhores críticas depois de terem filhos. A Kristin Long era solista na San Francisco Ballet e quando voltou da licença de maternidade foi elevada a prima ballerina [bailarina principal]”, conta.

A teoria de Lucy Gray é de que ser mãe tornou-as melhores profissionais: perderam o nervosismo do palco, passaram a relativizar as coisas. Dançar tornou-se “mais fácil, ganhou beleza”, diz a fotógrafa, lembrando o exemplo de Katia, que tinha pânico de subir ao palco antes de ter o filho.

“Temos que parar de repetir o quão difícil e impossível é ser-se mãe e profissional” — Gray quer deixar isto claro. Foi criada com os quatro irmãos apenas pela mãe e por isso nunca comprou esta história de que a maternidade arruína uma carreira. “Habituam-nos a ouvir que devemos concentrar-nos numa só coisa para a melhorar. Mas aqui estão mulheres que fazem duas coisas — são bailarinas e mães — e que são melhores nas duas. Nunca se ouvem estas histórias.”

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Veja o vídeo e conheça as histórias de Kristin Long, Tina LeBlanc e Katia Waldo.

Fonte: Observador