Atualidade

3 de Setembro de 2014

Babydecoder. Descodificar choros de bebé para acabar com as noites em branco

Aplicação para iPhone, criada por um enfermeiro e um informático portugueses, traduz o choro dos bebés em fome, cólicas ou birras. É lançada esta semana no mercado

Foi para socorrer um amigo que Ricardo Roxo teve a ideia: e que tal criar uma aplicação para iPhone que consiga ajudar os pais a perceber porque é que o bebé está a chorar? “Quando comecei a falar nisto, no início, nem pensei que fosse uma bomba”, admite o enfermeiro.

Ricardo foi pai há cinco anos, já passou por essa experiência. Mas o amigo, Nuno Nobre, técnico de informática, está a poucas semanas de ver nascer o primeiro filho. A aplicação veio a tempo de dar uma mãozinha nos primeiros meses de paternidade: “Quando uma pessoa sai da aldeia não há ninguém a quem pedir ajuda a meio da noite, e em casa não se lembra de que se é enfermeiro, pensa- -se logo nas piores coisas.”

A Babydecoder (descodificador de bebés, em tradução livre do inglês) surgiu porque Nuno precisava de ideias para aplicações, e o enfermeiro lançou algumas para cima da mesa. O projecto arrancou em Maio e a aprovação da Apple para que a aplicação possa começar a ser comercializada na AppleStore chega em breve. O lançamento está previsto já para esta semana.

RESPOSTA PARA MIL EUROS Resolvida a burocracia, vamos ao que interessa: afinal o que é isso de um descodificador de choros de bebé? A ideia é até relativamente simples de explicar. Aceitar o conceito talvez seja um pouco mais complicado para os puristas da paternidade, mas basta respeitar alguns passos. Quando o bebé está a chorar, a mãe ou o pai pegam no iPhone e abrem a aplicação. Aproxima-se o microfone da criança e o software detecta o choro que é depois cruzado com cerca de 40 outros exemplos de choro que vêm com a aplicação. Em “três ou quatro segundos” é apresentada uma de seis hipóteses (ver tabela ao lado).

E será que funciona? “Comprovar a eficácia a 100% não é possível, até porque os bebés nunca dirão se a resposta da aplicação estava certa”, avisa Ricardo Roxo. Mas o enfermeiro garante que, na fase em que a aplicação se encontra, a taxa de fiabilidade da aplicação ronda já “os 70%”.

Para os pais, o recurso à Babydecoder pode, no mínimo, poupá-los ao desespero de uma noite em branco. Mas são os bebés quem mais pode beneficiar do uso da aplicação, assegura Ricardo. “Chorar o menos possível e tranquilizar mais depressa o filho vai fazer com que ele se torne uma criança mais calma”, defende o enfermeiro, que recorreu a uma extensa bibliografia de pediatria para ajudar a desenvolver a aplicação.

Além disso, adverte, “muitas vezes os pais dão medicação aos filhos às cegas”, acreditando estar a combater a origem do choro, quando na verdade estão a atirar ao lado. Saber ao certo o que se passa com o bebé permitirá “reduzir a medicação que se dá” e “a qualquer hora, sem internet, direccionar o cuidado prestado”.

Há outras aplicações no mercado centradas nas crianças, mas essas, garante Ricardo, limitam-se a “dar dicas” aos pais ou a apresentar alguns “tutoriais”. A babydecoder, diz, é “inovadora” porque põe em prática aquilo que os competidores se limitam a abordar na teoria.

A dupla realça, no entanto, as duas condições para usar a aplicação: a criança tem de ter seis meses ou menos e o choro deve ser claramente recebido pelo telemóvel, sem interferências de outros sons por perto. A ideia de Ricardo e Nuno contudo é levar o trabalho mais além. Sobretudo no que diz respeito à (ainda pequena) base de dados de que dispõem. Depois de descarregada da Apple Store, a aplicação pode ser usada sem acesso à internet. A base de dados, porque é ainda pequena, vem com a Babydecoder. No entanto, a aplicação teria tudo a ganhar em fiabilidade se, em vez de 40, o software tivesse 50 mil choros de bebé com que cruzar cada teste (os sons actuais foram recolhidos, um a um, por Ricardo). Para isso, seria preciso aparecerem investidores interessados em contribuir para o projecto, que “tem asas para voar mais alto”, defende o enfermeiro.

Porque choram os bebés?

Sono
Uma das possibilidadesde correspondência que a aplicação vai proporcionaraos utilizadores é a de o bebé estar com sono. Isso significa que está com dificuldade em adormecer, mas pode também querer dizer que tem um acordar mais difícil.

Desconforto
É a hipótese que mais sintomas abarca. O “desconforto” corresponde a fralda por trocar, a sensação de calor ou de frio.

Fome
Não há muito mais a dizer. Está na hora de repor energias.

Arrotar
Se entrou muito ar com a última refeição, ele tem de sair. Bebé encostado ao corpo do pai ou da mãe e palmadinhas nas costas até conseguir arrotar.

Cólicas
As cólicas são bastante frequentes nos primeiros meses. A aplicação não apresenta soluções, maspô-los de barriga para baixo ou massajar o estômago costuma fazer milagres, dizem os mais experientes na matéria.

Sem correspondência 
Poderá acontecer que a aplicação apresente a resposta “sem correspondência” quando o choro do bebé é analisado. O facto de haver muito barulho à volta pode explicar a ausência de resposta. Se assim for,  procure eliminar o ruído e reinicie o teste. Em caso de persistência, pode sempre suspeitar de que se trata de uma birra.

Fonte | iOnline