Mães e Pais na 1ª Pessoa

João Moreira Pinto 

E os Filhos dos Outros

Atenção aos brinquedos perigosos

Que alguns dos brinquedos que se vendem por aí não estão adaptados às idades a que se destinam, eu já tinha ideia. Agora que 18 dos 40 brinquedos testados pela Deco apresentam riscos graves de segurança?! Isto deixou-me preocupado.

Primeiro, porque um dos brinquedos apresentados como perigoso esteve vai-que-não-vai para entrar na lista de uma amiguinha, fã da Peppa. Achei que iria gostar do autocarro da porquinha, mas, quando se vê no catálogo não imagina que aquelas pecinhas se soltam e são suficientemente pequenas para uma criança as engolir ou, pior, asfixiar.

pTRUIB1-7075648dt

[fonte: toysrus.pt]

Segundo, porque, lendo o artigo da Deco fiquei a perceber que o selo CE não é uma garantia de segurança. Não sendo obrigatório ao fabricante do brinquedo dizer a idade a que se destina o mesmo, a indicação que aparece lá escrita é opcional e meramente indicativa. O selo CE não é atribuído tendo em conta a idade que o fabricante indica. O que pode ser seguro para uma criança grande (6, 7, 8 anos) pode não ser para a criança de 3 (como muitas vezes vem indicado).

Conclusão, a própria legislação deixa a porta aberta para que os pais, avós, padrinhos, etc. sejam enganados na altura de comprar os brinquedos. Daí que, a Deco lançou umpanfleto com 10 dicas para escolher brinquedos seguros. Dada a sua importância, transcrevo-as para aqui (devidamente sublinhadas e comentadas):

  1. Escolha brinquedos adequados à idade e desenvolvimento da criança a que se destina.
  2. Leia os avisos de segurança e as instruções de utilização. Se não existirem ou não estiverem em português, opte por outro brinquedo.
  3. Passe a mão pelas arestas, pontas e bordos e certifique-se de que não existe o risco de magoarem a criança.
  4. Verifique se tem peças pequenas que possam ser arrancadas com facilidade (por exemplo, rodas, olhos ou pêlos) e que caibam dentro de um rolo vazio de papel higiénico (comentário: tudo que seja suficientemente pequeno para passar na traqueia de uma criança e ser aspirado. Um perigo!!!) Em caso afirmativo, opte por outro produto.
  5. Certifique-se de que as pilhas estão num compartimento fechado com parafuso e que se abre com ferramentas (comentário: parece ser só para acrescentar trabalho, mas as pilhas são dos objectos mais tóxicos, quando engolidos acidentalmente. Outro perigo!!!).
  6. Máximo cuidado para brinquedos com fios compridos: estes não devem exceder os 22 cm, para que a criança não consiga enrolá-lo à volta do pescoço.
  7. Brinquedos com pés dobráveis, como quadros escolares  ou tábuas de engomar, devem ter um sistema nas pernas de suporte que os impeça de fechar completamente, para evitar entalar dedos (comentário: quantos acidentes destes acontecem connosco, adultos. Quanto mais com crianças?).
  8. Retire o brinquedo da embalagem, sobretudo se esta for de plástico, antes de o oferecer à criança (comentário: apesar da Deco não referir, julgo que muitos dos plásticos que protegem os brinquedos, são algo cortantes para as mãos dos pequenos). Guarde a identificação e morada do fabricante ou importador: é necessária, se ocorrer algum acidente.
  9. Evite que as crianças mais novas utilizem os brinquedos das mais velhas, quando possam constituir um risco (comentário: grande conselho para pais de segunda, terceira e mais viagem).
  10. Faça uma revisão periódica aos brinquedos e deite fora os que estiverem danificados (comentário: talvez a única vantagem de arrumar o quarto por eles, de vez em quando).

Blog | E os Filhos dos Outros