Atualidade

7 de Junho de 2013

AsTop 5 transformações que ocorreram na maternidade nos últimos 200 anos

De uma  maneira geral, salvo inúmeros casos, antigamente eram as mães que tinham que se responsabilizar pela criação dos filhos enquanto o pai trabalhava o dia inteiro para sustentá-los. Durante gerações, era assim  a dinâmica familiar: a mãe, que passava a maior parte do tempo com os filhos, cuidava deles, alimentava, vestia, educava, além de se ocupar com os afazeres domésticos. Já o pai, passava o dia inteiro fora, conhecia muitas pessoas e era aquele que colocava a comida dentro de casa, e por isso tinha sempre a última palavra .

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No entanto, este modelo familiar aparentemente tão sólido e livre de falhas, com o passar dos anos foi  modificando-se . Os deveres das mães, por exemplo, em dois séculos passaram por incríveis transformações.

Conheça cinco aspectos que marcaram de forma contundente a maternidade da sociedade do século XIX até os dias atuais.

1. Mães que trabalham fora de casa

O que antes era visto de maneira profundamente negativa, hoje é a solução para inúmeras famílias. As mães modernas cada vez mais são responsáveis pela componente financeira da casa.

Na década de 1950, de acordo com a historiadora Stephanie Coontz, menos de 20% das mães com crianças pequenas trabalhavam fora de casa. A partir de 2008, mais de sessenta por cento das mães com crianças com menos  de seis anos já se ocupavam dos mais distintos cargos no mercado de trabalho. A percentagem sobe ainda mais se forem considerados os casos de mães com com filhos  com idades entre 6 a 17 anos. Estas mães totalizam 80% da força de trabalho, segundo um estudo realizado  feita nos Estados Unidos.

2. Mais tempo fora não significa menos tempo com os filhos

Pode parecer contraditório, mas de fato, as mães que trabalham o dia todo conseguem passar mais tempo com os filhos, do que era feito no passado, quando as mães não trabalhavam.

De acordo com uma pesquisa, as mães passavam 10 horas por semana com os filhos em 1965. Tendo em consideração, que boa parte do dia, as crianças permaneciam na escola, e as mães gastavam horas em afazeres domésticos. Já os pais, na mesma época, passavam míseras duas horas e meia na companhia dos filhos. A partir de 2011, as mães passaram a estar mais presentes na vida dos filhos estando aproximadamente  14 horas semanais nas creches e os pais sete horas.

A explicação para este aumento é que embora a carga horária de trabalho das mulheres tenha subido consideravelmente, elas passam menos tempo a realizar tarefas domésticas ou  sozinhas, preferem investir o tempo extra na companhia dos filhos.

3. Maternidade privatizada

Entre 1800 a 1900 a grande preocupação das famílias era  a higiene. No entanto, a mortalidade infantil só começou a cair quando os médicos passaram a compreender o funcionamento das doenças transmissíveis e perceberam que os microrganismos causam doenças.

Naquela época, os pais eram tão solidários e partidários ao governo vigente que tudo o que o governo decretava tornava-se lei de fato dentro de casa. Em 1914 o governo norte-americano lançou uma cartilha intitulada “Infant Care” (algo como, “cuidados com o bebé),  havia diversas instruções de como cuidar de uma criança, desde trocar uma fralda até receitas de comida para bebés.

Muitas mães mandavam cartas a pedir conselhos e orientações. O Bureau da Criança nos Estados Unidos tem armazenado cerca de 125 mil cartas dessas mães, o que mostra como desde aquela época a preocupação de manter as crianças vivas e saudáveis era de fato algo sério. O objetivo do governo na época era aumentar a saúde pública e reduzir a mortalidade infantil. Isso contrasta fortemente com os dias atuais. Cada vez menos o governo tem o poder de mandar ou influenciar dentro das casas das famílias modernas.

4. As mães são vistas com mais simpatia

Que vida ingrata e injusta era a das mães de antigamente. Tinham inúmeros deveres e pouquíssimos direitos. Em 1800, por exemplo, as mães eram idolatradas por serem vistas como as responsáveis por conceber e criar filhos fortes, uma nação forte.

Entretanto, um século depois em 1900, as mães já não eram vistas como heroínas. Pelo contrário, naquela época, elas foram demonizadas e acusadas de serem aproveitadoras e de estarem a destruir a América. Esta opinião teve grande influência depois de surgirem as Teorias de Desenvolvimento da Criança de Freud, no qual basicamente as teorias culpavam as mães pelos problemas existentes em seus filhos.

A violência gratuita contra as matriarcas chegou a ser feroz nas décadas de 40 e 50 quando Philip Wylie publicou um livro de não-ficção de ensaios, chamado “Generation of Vipers” (“Geração de víboras”), que se tornou um best-seller em 1942, e inspirou o termo “Momism”. Algumas pessoas o acusaram de ser misógino (alguém que tem antipatia e aversão mórbida às mulheres). Nesse livro, Wylie alegava que as mães americanas estavam a criar filhos ignorantes e estúpidos e que elas exigiam direitos por nada. Leia abaixo o trecho de uma descrição nada agradável que ele faz sobre as mães da década de 40:

“Vamos olhar para uma mãe. Ela é um papagaio de meia-idade com um olho como o de um falcão que só consegue ver um coelho se contorcendo bem abaixo. Ela custa cerca de 25 libras (mais ou menos 70 reais na moeda de hoje) com sobrepeso, lerda, mas com saltos pontiagudos e com as costas das mãos pesadas, no qual ela não considera um defeito, e sim uma defesa feminina. Nem mesmo dentre mil delas há uma única que tenha sensualidade suficiente para fazer com que um eremita dê dez passos para longe de um penhasco. Ela no entanto, gasta centenas de dólares por ano em permanentes, transformações, pomadas, produtos de beleza, maquiagens e afins, e não consegue enganar ninguém, exceto a si mesma”.

5. Hoje, a crítica vem das próprias mães

Se fossem nos dias de hoje, Wylie seria duramente criticado pela massa de mães blogueiras, que usam diversas redes sociais para expressar opiniões e compartilhar fatos. Ele seria ridicularizado e até mesmo esquecido.
No entanto, não é preciso que exista um “Wylie da vida” para que haja veementes críticas contras as mães do século XXI. As mães de agora são os seus próprios inimigos. Quando elas ficam em casa, por exemplo, sentem-se culpadas por não estarem a contribuir financeiramente para a  família, e que por isso os seus filhos podem passar a não respeitá-las . Já quando estão no trabalho, elas preocupam-se em não negligenciarem os filhos. As mães passam a culpar-se pelo comportamento dos filhos e ao mesmo tempo passam a julgar com mais rigor outras mães.

Embora possam culpar-se e exigirem de si mesmas cada vez mais, as crianças consideram a mãe um grande exemplo, o que mostra que essas mulheres deveriam preocuparem-se  menos com o seu próprio desempenho. Segundo uma pesquisa realizada em 2000, intitulada “Ask the Children” (“Pergunte às crianças”), a autora Ellen Galinsky estudou e entrevistou as crianças cujas mães trabalham fora, e perguntou o que os pequenos achavam sobre as suas  mães trabalhadoras, e a grande maioria disse que isso era muito bom, e que elas eram ótimas mães.

Eis um presente para as mães modernas: as crianças orgulham-se das suas mães  e mais do que isso, se espelham -se nelas.

Fonte: Jornal Ciência