Mães e Pais na 1ª Pessoa

Catarina Beato 

Dias de uma Princesa

[as marcas que ficam]

No facebook, Shakira é criticada pelas estrias que mostra na barriga. Não entendo. Olho para a minha barriga e estão lá todas: as marcas do peso que ganhei, as marcas do peso que perdi, as testemunhas das barrigas que carregaram os meus filhos. Puderei treinar e ter uma barriga lisa mas as marcas daquilo que passou pelo meu corpo estão lá para sempre. E ainda bem.

Mentiria se dissesse que sempre gostei das imperfeições da pele. Em miúda detestava cada cicatriz das minhas pernas, aquelas que o meu tom claro de pele insistia em tornar demasiado evidentes. Achava mesmo que nenhum rapaz gostaria de mim por causa disso. Hoje gosto das marcas das quais consigo contar a história. Sei que que julguei conseguir voar quando abri um rasgão enorme na perna direita, sei explicar que sou uma desastrada nos meus joelhos, e sei que pesava 90 quilos quando a pele da barriga que guardava o meu filho mais novo cedeu.

Passamos tanto tempo centradas nas nossas imperfeições, as coisas minúsculas que apenas nós conseguimos ver, transformam-se em monstros gigantes que tomam conta de nós. Como se um pelo perdido nos tornasse num enorme urso pardo. Ou aquela zona que tem celulite e que nos torna um pacote de manteiga.

Dizem, e eu confirmo, que forma mais eficaz de treinar é estarmos focados nos músculos que queremos trabalhar. Eu acrescentaria que a melhor maneira de nos sentirmos bonitas é um enorme sorriso e o pensamento no que somos e mais gostamos. E que as marcas que guardamos sejam as maravilhosas histórias que temos para contar.

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