Mães e Pais na 1ª Pessoa

Inês Simões 

Eu, Mãe

As maravilhas da maternidade | Amigos para a vida

Bem diz o meu marido que o mais importante na vida “são os afetos”. E não é um chavão de mural do facebook, são mesmo as conclusões de quase (quase amor, calma!!!) meia vida de um homem que gosta de se por a viajar na maionese. E que fez mais um ano esta semana (parabéns também aqui, fica o registo). Dizia eu, e ele, o importante são os afectos.

Eu não sou uma pessoa propriamente fofinha, mas até tenho os meus momentos, como este. Também não sou de lamentar as minhas angústias publicamente, que as tenho, de extravazar sentimentos, que os sinto, de partilhar emoções, que as vivo. Mas gosto de guardar bons momentos, de os marcar com uma dobra de página, como quem marca o momento em que se obrigou a travar a leitura de um maravilhoso livro, para mais tarde recordar, para então retomar a história. Só que é a história das nossas vidas.

Tudo isto para dizer que no meio do caos, por entre as correrias, entre as solicitações digitais e os quebrantos físicos, lá nos conseguimos encontrar para mais um ajuntamento dos amigos de sempre.

E que bom é ver que os amigos de sempre vêm de longe mas encontram-se, sobretudo quando a ocasião é a melhor, apesar de já termos mostrado que também nos sabemos juntar nas piores alturas. Mas estas são muito melhores. E no sábado passado, com muito esforço, muito sol, muito calor, estivemos juntos, numa mesa enorme, a por a conversa em dia. Sabe sempre a pouco, sinto que precisamos de mais encontros para engrenar a nossa máquina infernal, mas nem sempre é possível, somos escravos do trabalho, da falta de tempo, da distância, de quem depende de nós mais que ninguém. É a vida.

A vida que nos trouxe idade, profissões, “eventuais” e filhos, sobretudo filhos. Termos putos e vermos os putos uns dos outros nascer e crescer é a melhor parte disto tudo.

É bom termos filhos com idades próximas, suficientemente próximas para agora todos se engalfinharem lá no fundo da sala. É bom ver os meses que separam uns dos outros se diluirem mais e mais. É bom podermos estar agora apenas atentos a fugidas estratégicas que acabam em quedas e dedos entalados (PE – DRO). É podermos a pouco e pouco voltar a ser os amigos de sempre, sem deixar os miúdos para trás, ou sem estarmos constantemente atrás deles. Como é bom vermos que, quando conseguimos nos encontrar com os miúdos, nos vamos libertando das tarefas de recém pais, para a beleza de estarmos juntos de um lado e os nossos miúdos a brincar do outro. Podermos voltar aos copos, aos braços soltos, ao estarmos sentados no paleio, enquanto os miúdos brincam. Claro que as conversas são quase sempre sobre eles, mas cada coisa a seu tempo! E que bom serem os nossos filhos um gangue cada vez mais numeroso e poderoso!

E é óptimo ver os nossos filhos a crescer juntos, uma nova geração de nós, que tivemos todos a sorte de ver conhecerem-se mais cedo que nós, de aproveitar essa sorte para construirem com anos de antecedência as suas amizades.

É maravilhoso saber que os meus filhos não se vão lembrar do momento em que conheceram os meus sobrinhos do coração. Eles apenas vão recordar vagamente a primeira passagem de ano juntos, os primeiros aniversários. Vão poder dizer, “Conhecemo-nos desde sempre, somos amigos de família.”

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Apenas tenho pena de não termos apanhado todo o gangue em ação, perdemos a melhor oportunidade para lhes tirar umas fotos de fazer história, ficam os três mais velhos, a cara deles diz tudo…

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