Espaço Família | O nosso 1º Filho

Cuidados ao Bebé

31 de Maio de 2014

As famosas cólicas do bebé

Principalmente no 1o mês de vida o bebé recebe um número elevado de visitas, de amigos e familiares, que rapidamente celebram o crescimento com frases chave do tipo: “Coitado, chora com fome!”, “Este choro é cólicas!”, “Se calhar o leite da mãe é fraco, era melhor dar-lhe leite artificial.”, “Têm que ter paciência, são cólicas, só passa no 3o mês.”!A cólica é um sinal e um sintoma fisiológico do sistema intestinal que pode manifestar-se ao longo da vida.
Culpabilizar os pais, encharcá-los de receitas e maezinhas que funcionam com cada primo, sobrinho é o socialmente incorrecto.Culpabilizar uma mãe que amamenta dando-lhe uma lista fixa de alimentos proibidos é um erro diário e grave emocionalmente para cada mulher que aleita. O bebé vem preparado geneticamente para todos os nutrientes que as gerações anteriores assimilaram. Cada mulher que amamenta deve continuar a alimentar-se de uma forma diversificada indo buscar diferentes fontes de nutrientes. Somente cada mãe poderá estabelecer uma causa directa entre o que comeu e a reacção intestinal de cada filho. Observar, relacionar e retirar as suas próprias conclusões. Hoje sabemos que as causas são multifatoriais: imaturidade do sistema gastrointestinal, stress emocional/físico, retenção de ar (proveniente do choro, má pega á mama/biberon, sofreguidão no ritmo da refeição, deficit de arrotos) medicação, patologia específica e diversificação alimentar.
Ao crescer, semana a semana, o bebé utiliza o choro e o sorriso para aproximar os seus elos cuidadores. Muitos choros serão uma necessidade emocional de cada bebé falar com a sua família: muitas vezes cansado, irritado de muita ou pouca interacção, a tentar auto regular-se transitando de períodos de grande atenção para períodos de sono. O choro do bebé do primeiro trimestre não se pode reduzir às cólicas.

Algumas atitudes positivas podem ser desenvolvidas para acompanhar as cólicas quando cada pai/mãe avalia a sua existência:

–  Falar com o seu bebé. Conseguir utilizar a voz humana como um colo que acompanha o episódio em causa;
–  Procurar uma posição de conforto para o bebé: para alguns o colo humano, para outros estar deitado de barriga para baixo (atenção: nunca o deixe sozinho a dormir nesta posição sem a sua vigilância);
–  Um banho morno, onde o efeito da água pode relaxar o abdómen tenso e/ou se preferir uma fonte de calor protegida com uma toalha turca (gel quente, botija de água morna);
–  Uma massagem ao longo do dia, fora do período do choro, quando muda a fralda realizando círculos à volta do umbigo no sentido do esvaziamento intestinal (é a mesma direcção do fuso horário);
–  Uma sonda de esvaziamento intestinal (peça ao farmacêutico) com lubrificante (vaselina esterilizada) para libertar o ar retido.
–  Uns minutos de ginástica com o pai/mãe a realizar movimentos de bicicleta, aumentando progressivamente a pressão abdominal através de movimentos das pernas.
–  Conversar com o pediatra ou técnico de saúde que acompanha o seu filho caracterizando os episódios observados. Só muito raramente estas situações necessitam de medicamentos.

Cabe a cada família observar o comportamento de cada filho e experimentar estratégicas consoladoras, mesmo que por vezes “meta as mãos pelos pés”!
P.S. – Deixo uma sugestão: Quando for visitar um recém-nascido deixe os pais em paz! Evite falar das cólicas!

Maria João Alvito
Fisioterapeuta do Centro Olá Mamã

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