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Psicologia

5 de Novembro de 2014

“Aprender a ser amigo é a melhor forma de ter um amigo”: Benefícios das relações de amizade nas crianças

amigos

É importante que o meu filho tenha amigos? Quais os seus benefícios? E se ele sentir dificuldade em se relacionar com os colegas, o que poderá fazer para ajudar?

Estas poderão ser algumas das questões que, em alguns momentos da vida, surgem por diversas razões: ou porque o seu filho entrou na escola, ou porque nota que se isola e não sabe o que poderá fazer por ele, ou porque simplesmente reconhece que todos nós precisamos de construir, ter e manter relações com os outros ao longo da nossa vida.

De facto através das amizades as crianças mais novas aprendem a relacionar-se com os outros e com o mundo envolvente; aprendem a colocar-se no lugar do outro, permitindo o desenvolvimento da empatia e aprendem a resolver problemas que podem surgir entre colegas e amigos, promovendo a capacidade de resolução de problemas. Para além disso, estas relações possibilitam a aprendizagem de valores morais, regras e limites sociais e relacionais fundamentais para viver em sociedade.

Um estudo constatou que crianças que têm amigos, gostam mais da escola e que aquelas que fazem novos amigos tiveram melhor aproveitamento escolar, enquanto que as crianças que se isolam, que são excluídas/rejeitadas pelos colegas apresentam recusa à escola e poderão ter um aproveitamento escolar mais baixo.

No fundo, o que se percebe é que a qualidade das relações é um aspecto importante, pois crianças cujos amigos representem um ‘porto-seguro’, uma fonte de ajuda e validação emocional, têm atitudes mais positivas em relação à escola e estão mais disponíveis para investir e aceitar novas relações.

Contudo, nem sempre as relações entre as crianças são experiências positivas. E visto que nesta fase do desenvolvimento as crianças respondem aos outros com base na experiência passada é importante ajudá-las a aprender estratégias eficazes.

E é aqui que os pais têm um papel fundamental!

Sabia que ao organizar e supervisionar alguns encontros entre o seu filho e os colegas, está a promover o comportamento pró-social (agir com preocupação pela outra pessoa sem estar na expectativa de uma recompensa), a sociabilidade e a ajudar o seu filho a aprender a pensar sobre as necessidades e desejos dos outros?

Para além de proporcionar isto poderá também:

1. Ensinar ao seu filho o que são e como funcionam as relações de amizade. Como? De uma forma indireta, recorrendo aos fantoches/bonecos, livros sobre crianças, animais que aprendem a ser amigos, ou até mesmo fazer pequenos “teatros” em que ambos representam uma determinada situação;

2. Encoraje o seu filho a estar com os colegas e amigos e quando este não quer perceba o que poderá estar a inibir estes comportamentos de aproximação em relação aos pares;

3. Normalize e desmistifique os conflitos que possam existir nas relações entre as crianças, pois estes podem, muitas vezes, estar relacionados com a imaturidade emocional e cognitiva. Quando reparar que existem conflitos continuados no tempo, fale com o seu filho e dê-lhe algumas estratégias para que este se possa proteger.

4. Elogie sinais de empatia, responsividade, partilha por parte dos seus filhos nestas relações.

De uma forma geral os pais podem ajudar as crianças mais novas a estabelecer relações com os pares, quando permitem que estas se juntem, quando orientam e supervisionam as suas brincadeiras e sugerem estratégias eficazes no contacto com o outro. Mas tenha em atenção que ‘supervisionar’ não significa interferir ou observar de uma forma excessiva a brincadeira, pois isto pode influenciar a forma como o seu filho brinca com os outros e ter um impacto negativo no mesmo.

E porquê que deve fazer tudo isto?

Porque estas relações são instrumentos poderosos de socialização, aprendizagem, desenvolvimento e maturação cognitiva e emocional – aspectos imprescindíveis para um futuro com qualidade na relação com o outro.

Ensine o seu filho a aprender a ser amigo pois esta é a melhor forma de ter um amigo!

A propósito, já conhece o livro “É tão bom fazer amigos”, da colecção Crescer com Pinta da Oficina de Psicologia?

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Cláudia Sintra Vieira

Psicóloga Clínica

Oficina de Psicologia

Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde – Especialização em Intervenções Cognitivo-Comportamentais em Perturbações Psicológicas e da Saúde, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.