Mães e Pais na 1ª Pessoa

Joana Gama e Joana Paixão Brás  

A Mãe é que Sabe

Antes de ser mãe não imaginava…

  • que fosse adorar o cheiro a cocó do bebé. – Sim, do bebé. Importante dizer de quem, para não haver mal entendidos. Não ficamos loucas por cocó no geral. Não começa a ser um fetiche e começamos a querer chafurdar-nos nuas na areia dos gatos. Gostamos quando eles fazem cocó (já sei que nem todas) e, principalmente quando não comem peixe e ainda estão a leitinho, o cheiro é bom. Cheira a iogurte.
  • que me passasse o mau feitio de ser acordada tão cedo. – Ser acordada às 5h da manhã e não ser mais ordinária ainda que o Fernando Rocha? Ou ter uma cara de tão mau feitio quanto o Miguel Sousa Tavares quando lhe falta o tabaco? Só mesmo com uma criança e minha. Se fosse a criança do vizinho, talvez me tentasse espetar contra os botões do fogão.
  • que fosse passar a adorar andar. – Eu? Andar? Ui. Até no trabalho designávamos uma pessoa para ir buscar o almoço de todos ou, então, eu nem ia almoçar só para não ter que andar uns metros. Agora é maravilhoso. Calma, não “maravilhoso” como aquela primeira sensação de que emagrecemos quando experimentamos umas calças de ganga e nos ficam mais largas, mas aquele “maravilhoso” de… “olha… não morri!”.
  • que fosse passar a ter tanta fruta e vegetais em casa. – As minhas refeições resumiam-se a cereais (porquê “cereais” e não assumir logo Chocapic?) ou a Bolas de Neve ou a um bife de frango/perú (nunca os consegui distinguir até estarem descongelados) com imensa massa. De repente, tenho pêssego, manga, courgete, abóbora, gengibre em casa. O meu frigorífico está em choque.  Não tanto quanto todas as esteticistas nacionais com o bigodinho da Mariana Mortágua (e não é que também se nota no cartaz? É um statement? Percebo pouco de política…).
  • que achasse graça ter alguém a chamar o meu nome 43 vezes num minuto. – Ui! Se fosse um colega de trabalho a fazer-me isso, era espetar logo com metade de um bloco a3 de papel cavalinho pelo esfíncter anal (ou outro qualquer à escolha) acima ou abaixo, depende se estiver a fazer o pino ou não.
  • que fosse por as minhas mamas de fora na rua. – Nunca tinha feito topless, muito à conta de ter umas mamas assim para o feiosas. Digamos que não me punham num calendário do barbeiro sem ser vestida com um kispo da Duffy. Agora, não quero saber. Mesmo quando a Irene não está em casa, faço questão de andar com as mamas de fora, fico mais fresca. A verdade é que, amamentando, não sinto que esteja a despir-me, sinto que estou a alimentar a minha cria. Nem me lembro que são as minhas mamas. Até porque já não o são. Digamos que são… as suas vizinhas de baixo. Muito de baixo.
  • que fosse ter sempre uma pessoa a todas as horas na minha cabeça.  – E que essa pessoa não fosse a filha da “dona” da Zara que deve ter um armário do caraças. Passa a ser uma constante no nosso cérebro. Somos nós mais um bocadinho, não parece ainda ser separado de nós. É incrível. É como se fosse um furúnculo, mas mais amoroso e sem nada a ver.
  • que voltasse a querer estar grávida um dia. – Mesmo depois das últimas semanas tãaaao chatas do final da gravidez, mesmo depois de estar prestes a rebentar, das dores, dos xixis, das contracções, do parto, das noites mal dormidas, das preocupações, do cabelo a cair, dos pontos no pipi, do baby blues, das crises de choro, das crises de cansaço… querer repetir tudo e acreditar ser capaz de ser ainda mais feliz.
O resto já imaginava. Não tão bom, mas imaginava. :)

Joana Gama

Blog | A Mãe é que Sabe 

joana_br_s_e_isabel_com_nome  joana pombares e irene_com nome