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Psicologia

3 de Dezembro de 2014

Ansiedades na infância

ansiedade

As perturbações da ansiedade estão entre as condições mais comuns de saúde mental. Tal facto deve-se em parte porque todas as pessoas experimentam a sensação de stress e preocupação em alguns momentos das suas vidas. Existem muitos tipos diferentes de perturbação da ansiedade e com sintomas diferentes, mas todas elas partilham uma característica comum – é prolongada, intensa e fora de proporção com a situação eminente, afetando a vida e a felicidade diária de uma pessoa.

Os sintomas de uma perturbação de ansiedade podem surgir subitamente ou podem desenvolver-se gradualmente e permanecer. Às vezes, a preocupação cria uma sensação de desgraça e mau agouro que parece vir do nada. As crianças com problemas de ansiedade geralmente não saberão como gerir as emoções, preocupações e sensações que têm.

Tipos de Ansiedade presentes na infância:

As perturbações de ansiedade diferem umas das outras no tipo de objetos ou situações que provocam o medo, ansiedade ou comportamentos de evitação, e ainda a ideação cognitiva associada. Assim, embora as perturbações de ansiedade tenham muita comorbilidade umas com as outras, podem ser diferenciadas pelo exame atento dos tipos de situações que são temidas ou evitadas e o conteúdo dos pensamentos ou crenças associadas.

– Ansiedade de separação

A criança com perturbação de ansiedade de separação sente medo ou ansiedade sobre a separação das figuras de apego a um grau que é desadequada face à fase de desenvolvimento. Há um receio ou ansiedade persistente sobre o dano às figuras de vinculação; ansiedade sobre eventos que podem levar à perda ou separação das figuras de vinculação; relutância em se afastar das figuras de vinculação, bem como pesadelos e sintomas físicos de aflição. Embora os sintomas se desenvolvam frequentemente na infância, eles também poderão expressar-se em toda a idade adulta.

– Ansiedade generalizada

Na perturbação de ansiedade generalizada, as crianças preocupam-se excessivamente com muitas coisas, tais como a escola, a saúde ou a segurança dos membros da família, ou o futuro em geral. Pensam sempre o pior que poderia acontecer. Junto com a preocupação e temor, as crianças podem ter sintomas físicos, como dores de cabeça, dores de estômago, tensão muscular, ou cansaço. As suas preocupações podem causar-lhes o faltar à escola ou evitar atividades sociais. Com ansiedade generalizada, as preocupações podem passar por se sentir como “um fardo”, tornando a vida com um pesar esmagador ou fora de controlo.

– Fobias

Estes são medos intensos de coisas específicas ou situações que não são inerentemente perigosos, tais como alturas, cães, ou voar de avião. As fobias geralmente levam as pessoas a evitar radicalmente as coisas que temem.

– Fobia social (ansiedade social)

Esta ansiedade é desencadeada por situações sociais ou de falar à frente de outras pessoas. Uma forma menos comum chamada mutismo seletivo faz com que algumas crianças e adolescentes tenham tanto medo ao ponto de não conseguirem falar em determinadas situações.

– Ataques de Pânico

Estes episódios de ansiedade podem ocorrer sem nenhuma razão aparente. Durante um ataque de pânico, uma criança normalmente tem sintomas físicos bruscos e intensos, que podem incluir um coração a bater muito depressa, falta de ar, tonturas, dormência, ou sentimentos de formigueiro. A agorafobia é um medo intenso de ataques de pânico que leva uma pessoa a evitar ir a qualquer lugar onde um ataque de pânico possa ocorrer.

Origem da ansiedade

Uma criança com um membro da família que tem uma perturbação de ansiedade tem uma maior probabilidade de desenvolver uma também. Tal facto pode estar relacionado com os genes que podem afetar a química do cérebro e na regulação dos neurotransmissores. Mas nem todas as crianças que têm um membro da família com perturbação de ansiedade irão desenvolver problemas com ansiedade.

As situações que acontecem na vida de uma criança podem definir o cenário para as perturbações de ansiedade na infância ou mais tarde na vida. A perda (como a morte de um ente querido ou divórcio dos pais) e grandes transições da vida (como a mudança para uma nova cidade) são gatilhos comuns. Crianças com histórico de abuso também são mais vulneráveis à ansiedade.

Crescendo numa família onde os outros estão com medo ou ansiosos, também pode “ensinar” a criança a ver o mundo como um lugar perigoso. Da mesma forma, uma criança que cresce num ambiente que é realmente perigoso (se houver violência na família ou na comunidade da criança, por exemplo) pode aprender a ter medo ou esperar o pior.

Sinais e sintomas

Apesar de todas as crianças experimentarem ansiedade em determinadas situações, a maioria (mesmo aquelas que vivenciaram eventos traumáticos) não desenvolve perturbações de ansiedade. Aqueles que o fazem, no entanto, terão um ou mais dos seguintes sinais:

 Preocupação excessiva na maioria dos dias da semana, durante semanas a fio;

 Problemas para dormir à noite ou sonolência durante o dia;

 Inquietação ou fadiga durante as horas de vigília;

 Dificuldade de concentração;

 Irritabilidade.

Estes problemas podem afetar o funcionamento de uma criança no dia-a-dia, especialmente quando se trata de concentração na escola, dormir e comer.

É comum para as crianças o evitar falar sobre como se sentem, porque eles estão preocupados que os outros (especialmente os seus pais) possam não entender. Podem ter medo de serem julgados ou considerados fracos, com medo, ou caracterizados como “infantis”. E, embora as meninas sejam mais propensas a expressar a sua ansiedade, os meninos experimentam estes sentimentos também, e às vezes acham difícil falar sobre o assunto. Isto leva muitas crianças a sentirem-se sozinhas ou incompreendidas.

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Lúcia Bragança Paulino

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – área infanto-juvenil da Oficina de Psicologia