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Ginecologia e Obstetricia

13 de Maio de 2016

Anestesia no parto: o que deve saber

Dar à luz é um dos momentos mais importantes, mas também dos que mais ansiedade podem provocar na pré-mamã. Conheça as soluções anestesiológicas a que pode recorrer sem prejudicar o bebé.

Existem atualmente várias soluções de analgesia pré-parto que podem aliviar parcialmente as suas dores e ajudá-la a ter um trabalho de parto mais tranquilo e confortável. Converse com o seu médico e, em caso de dúvida ou necessidade de opinião especializada, solicite uma consulta de anestesia para poder decidir de forma informada e consciente. Decidir com dor condiciona a decisão.

Anestesia1

1. Anestesia epidural
A analgesia epidural é a técnica mais utilizada para aliviar as dores do parto. Consiste na administração de fármacos no espaço epidural, situado na região lombar junto à coluna vertebral. Provoca o bloqueio parcial das sensações dolorosas nessa zona, permitindo que se mantenha acordada, consciente e colaborante durante o trabalho de parto.
Começa por ser aplicada uma anestesia local na zona central das costas (tal como quando, por exemplo, vai ao dentista, em que é feita uma anestesia local antes de iniciar as técnicas que poderiam ser dolorosas). Através de uma agulha guia é colocado um cateter no local, e é através deste que depois serão administrados os fármacos que irão criar o efeito analgésico pretendido.
Ao longo de todo este processo, é essencial que se tente manter perfeitamente imóvel. Com o auxílio da(o) enfermeira(o) e do anestesista, vai conseguir. A dor ou desconforto permitidos por este método dependem da quantidade de anestesia administrada (doses), da técnica utilizada, da evolução do trabalho de parto, da posição do bebé dentro do útero e da anatomia individual. Conforme as doses administradas, o maior ou menor efeito analgésico poderá acompanhar-se por alguma diminuição da força ou sensibilidade nos membros inferiores. É uma das razões pela qual se deverá manter no leito durante a evolução do trabalho de parto.
Nos momentos que antecedem o nascimento do bebé, pode optar-se por intensificar a analgesia para o canal de parto, o que pode causar maior adormecimento dos membros inferiores – tal é referido como reforço analgésico perineal. Quanto mais dormente, menor pode ser a capacidade da mãe em contribuir ativamente nos esforços para o parto.
Existem alguns efeitos laterais deste tipo de técnicas. Paralelo ao efeito analgésico, coexiste um outro efeito que pode condicionar uma diminuição da tensão arterial. Para contrariar essa baixa da tensão arterial, que pode causar temporariamente uma diminuição dos batimentos cardíacos fetais, a parturiente terá um soro a ser administrado continuamente.
Quando a evolução do trabalho de parto é muito rápida, a obtenção de uma analgesia eficaz pode ser difícil. A instalação do efeito analgésico por via epidural é lento, cerca de 10 a 15 minutos.
Alterações anatómicas (curvaturas da coluna mais acentuadas), falta de colaboração (incapacidade de manter a imobilidade durante a técnica) ou grande aumento de peso podem dificultar a execução da técnica, mesmo com o anestesista mais experiente.

2. Bloqueio do pudendo
Ao contrário do que acontece com a epidural, o bloqueio do pudendo é uma injeção administrada na parede vaginal durante a segunda fase do trabalho de parto. Serve para bloquear o nervo pudendo na pélvis, entorpecendo a área do períneo. É um método de aplicação fácil e rápida que não provoca quaisquer efeitos secundários no bebé. Pode, no entanto, não aliviar por completo as dores causadas pelas contrações e não pode ser feito se a cabeça do bebé estiver já muito abaixo no canal vaginal.

3. Bloqueio paracervical
O bloqueio paracervical é outra forma de anestesia local, embora menos popular, sobretudo desde o aparecimento das técnicas de analgesia epidural. Consiste numa injeção administrada em torno do colo do útero que permite reduzir as dores causadas pelas contrações durante uma a duas horas. A maior desvantagem deste tipo de anestesia é que pode provocar um abrandamento do batimento cardíaco do bebé.

4. Opioides
Além de aliviar as dores, opioides como morfina, petidina ou remifentanil podem aliviar a ansiedade provocada pelo trabalho de parto ao iludir a perceção de dor. Quando são administrados, o sistema nervoso passa a enviar menos sinais de dor para o cérebro e, por consequência, os músculos relaxam entre as contrações. O efeito deste grupo de medicamentos é não só nos órgãos onde surge a dor, mas também nos centros de dor no cérebro.
Embora seja um método relativamente seguro de anestesia, pode provocar náuseas, vómitos, sonolência e tonturas. Em altas doses ou em doentes sensíveis, pode afetar a respiração da mãe. Alguns destes medicamentos podem causar convulsões no recém-nascido.
Também não deve ser utilizado quando o trabalho de parto está próximo do fim, uma vez que pode afetar a respiração e os hábitos de amamentação do bebé no pós-parto.
Regra geral, são utilizados quando as técnicas de analgesia epidural estão contraindicadas ou em alternativa às mesmas.

5. Bloqueio subaracnoideu (raquianestesia)
O bloqueio subaracnoideu é um método muito semelhante à analgesia por via epidural, consistindo numa injeção de fármacos administrada no líquor cefalorraquidiano através de uma punção direta como uma agulha muito fina. Conforme a dose, pode ter meramente efeito analgésico ou mesmo anestésico. Neste, acompanha-se por anestesia sensitiva (deixa de sentir e ter dor) e anestesia motora (deixa de ter a capacidade, temporária, de mobilizar os membros inferiores).
É um método eficaz e de ação rápida, mas pode provocar redução da tensão arterial (à semelhança do atrás descrito) ou outras complicações, como dificuldades urinárias temporárias após o parto. É frequentemente utilizada em combinação com a técnica epidural, sendo denominada analgesia por via sequencial.
Surge como opção sempre que o intervalo de tempo entre executar a técnica e o tempo necessário para ter o efeito estabelecido é mais curto, como por exemplo quando uma parturiente se encontra perto das fases finais do trabalho de parto e há uma necessidade urgente de analgesia.

6. Anestesia local
Por vezes administrada antes de uma episiotomia – incisão que tem como objetivo ampliar o canal de parto –, a anestesia local entorpece a área em volta da vagina mas não alivia as dores provocadas pelas contrações. Não tem consequências para o bebé, mas pode provocar alterações na tensão arterial ou causar algum tipo de reação alérgica à mãe. Não é necessária quando se fez analgesia por via epidural.

7. Anestesia geral
Os vários fármacos desta técnica, são injetados através do soro diretamente numa veia. Causa inconsciência, analgesia, alguma amnésia para os eventos no perioperatório imediato e imobilidade. Como os riscos de utilização são mais elevados, este tipo de anestesia só é utilizado em cesarianas e outro tipo de partos de emergência, quando o tempo para atuar deve ser o mais curto possível, tendo em conta a segurança e o bem-estar materno-fetal.

Sabia que…
Técnicas como acupuntura ou hipnose também podem ser utilizadas como formas de controlar a dor no trabalho de parto.
Fontes utilizadas
http://www.webmd.com/baby/tc/labor-delivery-and-postpartum-period-early-labor
http://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/labor-and-delivery/in-depth/labor-and-delivery/art-20049326?pg=2