Espaço Família | Como Cresceram

Psicologia

24 de Abril de 2015

Amor Incondicional. Sim ou não?

maes

Quando o amor por um filho se transforma num amor incondicional, está-se a fomentar a instalação de um fundamentalismo afetivo.

Ou seja, o papel dos progenitores que deve ser ativo e organizador, desvia-se para um desempenho emocional com características abafadoras e pouco realistas.

Os pais começam a “sentir” os filhos e não a “vê-los”. E esta forma de absorção, vai retirar aos filhos, espaço para testarem as suas fantasias e dúvidas, e que eles não querem que sejam normalmente partilhadas. Nem mesmo pelos seus próprios pais.

Aceitar o silêncio e o segredo que fazem parte da vida mental dos filhos, é algo muitas vezes difícil de ser aceite por estes pais exigentes. Porque a noção de propriedade é tão avassaladora, que não lhes passa pela cabeça que, em cada um de nós, existe um território intocável e que não deve ser invadido, em nome seja do que for.

Uma mãe ou um pai, não devem apropriar-se de toda a vida existencial do seu filho, seja ele uma criança a dar os seus primeiros passos, ou um adolescente irrequieto.

O amor incondicional, na ternura que parece anunciar, mais não é que um véu sombrio e perigoso. E nesse véu, parecido com uma teia tenebrosa, submetem-se as leis da convivência em verdadeiros duelos de sobrevivência, onde ninguém ganha.

Isto é, o amor deixa de ser fértil e o ódio desponta como um poema de rimas aguçadas.

Para amar de verdade os filhos, é preciso amar o companheiro(a). Aprender a disponibilizar os afetos e distribuí-los, sem cobranças ou desvios interesseiros.

É preciso sentir amor pelo próximo. E respeito por si mesmo.

Em suma, é preciso, sentir a vida, não como um peso, mas como uma grata felicidade. E isto aprende-se, dia-a-dia, a partir da forma como se olha para o outro. Sem anularmos, a nossa própria existência

Carlos Céu e Silva

Psicólogo clínico

Presidente da Olhar – Associação pela Prevenção e Apoio à Saúde Mental

logo olhar

© Pinterest