Mães e Pais na 1ª Pessoa

Lénia Rufino 

Not so fast

Amigos

amigos
Tenho saudades de ter amigos. Eu explico. Nunca fui aquele tipo de pessoa que tem um grupo de amigos para a vida. Os meus amigos foram chegando com as fases por que passei e foram indo na mesma medida. Do secundário, guardo uma amiga com quem é raríssimo estar. Da faculdade, guardo um casal de amigos com quem é raríssimo estar. Dos empregos, guardo um amigo com quem é ainda mais raro estar. As minhas melhores amigas: uma desertou para Beja, a outra está aqui ao lado e no que toca a ela, mea culpa, eu é que ando sossegada a deixá-la curtir a maternidade recente.
Tenho muitas amigas com quem há um almoço ocasional, mas não mais do que que isso. Não há um grupo coeso que se junte para sair, para jantar em casa de A ou de B, nada. Acho que já perceberam: sinto-me sozinha. Sinto que não pertenço a lado nenhum. Que não faço falta a nenhuma daquelas pessoas que referi. Tudo bem, é a vida. Nós, enquanto casal, não ganhamos de certeza a medalha da sociabilização. O meu marido é pouco dado a convívios fora do âmbito familiar. Eu sou mais. Mas, oh well, não tenho com quem sociabilizar. Não fora a net e passaria dias a fio sem falar com ninguém.
Assumo que o problema seja meu. Não sei em que medida mas visto que, de entre todas as minhas amigas, sou a única que se queixa disto, o problema deve ser meu. Devo ser uma espécie de amiga-reles. Sirvo para a conversa ocasional, mas não mais do que isso. Não sirvo para uma saída. Não sirvo para um jantar. Não sirvo para uma festa de anos. E sim, isto dói. Perceber que sou “conhecida” para pessoas que considero amigas dói. É isto. Há dias em que o desprendimento dói. Depois passa. Continuo sozinha a conversar pela net e passa. Só que não.
Fonte: Not so Fast