Atualidade

18 de Maio de 2015

Amamentar poupa 900 € em 6 meses

“Já viu que somos os únicos animais que bebemos leite ao nascer que não é da nossa própria espécie”, afirma perplexa a enfermeira Luísa Matos, da Maternidade Júlio Dinis, no Porto. O paradoxo ajuda a reforçar a ideia de que o aleitamento materno é “inimitável e insubstituível”. As vantagens são múltiplas: económicas, de saúde e ecológicas.

Em seis meses, as famílias são capazes de poupar 900 euros. Ao não gastar as latas, ajudam o ambiente e, ao nível da saúde, é benéfico para a mãe e o filho’, disse ao CM a enfermeira Luísa Matos, profissional envolvida no projecto ‘Hospital Amigo dos Bebés’, rótulo que a Maternidade Júlio Dinis adquiriu depois de adotar os dez passos para um aleitamento de sucesso exigidos pela Organização Mundial de Saúde e UNICEF.

No último ano, a maternidade portuense teve 91% de mulheres a dar leite materno a recém-nascidos. As vantagens para os bebés são incalculáveis e refletem-se numa maior facilidade na digestão; na criação de vínculos com a mãe; no leite materno ser sempre adaptado; no menor risco de diarreias; numa menor propensão para a obesidade e diabetes.

Já para a mãe, o aleitamento ajuda a diminuir as possibilidades de hemorragias pós-parto e de cancro nos ovários e útero.

A ação dos profissionais de saúde nas primeiras horas depois do nascimento são fundamentais para que o primeiro contacto seja bem feito. ‘É necessário que a mulher, com a ajuda da médica ou enfermeira, coloque a cabeça do bebé correctamente para que ele faça uma pega no mamilo correcta. Só assim se evitam lacerações e uma alimentação insuficiente’, sinalizou Luísa Matos.

MAIS DE 90 POR CENTO AMAMENTA

Mais de 90 por cento das mães podem amamentar. Somente uma pequena minoria não o pode fazer, como por exemplo as seropositivas. Para os bebés que não conseguem mamar ou para as mães que não desejam amamentar, a pediatra Cristina Godinho sugere o leite artificial.

O MITO DO PEITO PEQUENO

A pediatra Cristina Godinho afirma que o mito sobre as mulheres de peito pequeno terem mais dificuldades em amamentar existe, mas não passa de uma falácia. ‘A glândula é a mesma quer o peito seja pequeno ou grande. As mulheres de peito grande têm apenas mais gordura naquela zona.’

DISCURSO DIRETO

‘MAMAR SEMPRE QUE TÊM FOME’: Luísa Matos, enfermeira e uma das responsáveis do projecto ‘Hospital Amigo dos Bebés’

Correio da Manhã – As mulheres levam o aleitamento até ao fim dos seis meses?

Luísa Matos – Não temos dados, em Portugal, sobre isso, mas aqui temos feitos um grande esforço para isso. Até aos seis meses deve ser feito em exclusivo o aleitamento e depois desse período em conjunto com outros alimentos.

– Quais são os medos mais frequentes das mães?

– Pensam que têm pouco leite e que o bebé chora muito. Nós tentamos desmistificar isso, porque uma mãe que tem trigémeos tem leite para os três. É fundamental o ambiente familiar e social não ser stressante, tal como haver disponibilidade por parte da mãe.

–Há uma quantidade média de vezes que o bebé deve mamar?

– No passado havia muito essa ideia, mas que agora refutamos. O bebé deve mamar sempre que tem fome e isso acontece normalmente de duas em duas horas, mas cada um tem o seu ritmo. A mãe deve estar sempre disponível para o seu bebé.

OS DEZ PASSOS

1. Afixar normas Ter uma política de promoção do aleitamento afixada.

2. Formação Formação à equipa para que implemente o aleitamento.

3. Informação a grávidas Informar das vantagens do aleitamento materno.

4. Ajudar as mães Iniciar o aleitamento na primeira meia hora depois do nascimento.

5. Mostrar como fazer Mostrar às mães como amamentar e manter a lactação.

6. Só leite materno Proibir outro aleitamento que não o leite materno.

7. Mãe e filho juntos Manter mãe e filho juntos 24 horas para praticar o aleitamento .

8. Esquecer o relógio Dar de mamar sempre que o bebé queira.

9. Banir chupetas Não dar tetinas e chupetas no período de aleitamento.

10. Grupos de apoio Criação de grupos de apoio após a mãe sair da maternidade.

O MEU CASO: ELMIRA GONÇALVES

JOVEM MÃE FORTALECE LAÇOS COM ALEITAMENTO

A tenra idade de Elmira Gonçalves contrasta profundamente com a segurança que demonstra ao falar da recente experiência de ter um filho aos 16 anos. O Francisco nasceu de óptima saúde e é um bebé que dá muito que fazer à jovem mãe.

‘Ele pede peito umas oito vezes por dia. Até agora está a correr tudo lindamente e ele come muito bem’, afiança, segura, Elmira. Muito intuitiva, afirma que os gestos e sons que o menino vai fazendo já a fazem saber quando ele tem fome.

Esta adolescente é uma das mães que, na Maternidade Júlio Dinis, no Porto, tem seguido o novo programa dos ‘Dez Passos do Aleitamento Materno Com Sucesso’. Para as profissionais da instituição, só tem elogios. ‘Têm-me ajudado muito, mas a verdade é que para mim foi tudo muito natural’, revela Elmira.

O pequeno Francisco desde que nasceu sempre mamou bem. ‘Pouco depois de vir ao mundo, esteve cerca de seis horas no meu peito’, relembrou entre sorrisos. O aleitamento materno, para a jovem portuense é extremamente importante.

‘Penso que, além de fazer bem ao bebé e a mim, reforça os laços entre nós’, afirma. A pediatra Cristina Godinho, que acompanha a adolescente, reforça a ideia de que o à-vontade e confiança que sente em Elmira é fundamental para que o aleitamento seja bem feito. ‘A personalidade da mãe, mas também o meio envolvente são de extrema importância para que tudo corra bem’, disse a médica.

Desde as consultas de acompanhamento da gravidez na maternidade que Elmira esteve em contacto com o programa de aleitamento, pelo que, para ela, não foi uma novidade. ‘Explicaram-me com panfletos e eu também fui procurando informação na internet, porque acho que isto é algo de muito importante’, constatou.

A jovem espera amamentar o Francisco até aos seis meses.

PERFIL

Elmira Gonçalves, de 16 anos, mora em Paranhos, Porto, e foi mãe há uma semana. Vê-se no brilho dos seus olhos que o Francisco passou a ser a prioridade da sua vida. Apesar de muito jovem, demonstra uma confiança e segurança que desarmam. Muito intuitiva e dedicada, mostra-se sensibilizada para a importância do aleitamento materno.

NOTAS

GARCIA DE ORTA

Tal como a maternidade Júlio Dinis, Porto, também o Hospital Garcia de Orta, Almada, é um hospital amigo dos bebés

REDUZ MORTALIDADE

A UNICEF e a OMS afirmam que o aleitamento materno reduz a morbilidade e a mortalidade infantil

MENOS LEITE ARTIFICIAL

Com o mesmo número de partos, a maternidade Júlio Dinis comprou menos leite artificial este ano do que em 2008.

Fonte: Correio da Manhã  

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