Mães e Pais na 1ª Pessoa

Sofia Ribeiro Fernandes  

Crónicas de Estetoscópio e Biberão

Amamentação

“A Medicina é como o Amor, nem sempre, nem nunca…” Esta era a citação que me fazia recusar como opção correcta as frases que diziam sempre ou nunca, nos testes de escolha múltipla. 

Com a citação arrasto  e arrisco críticas selvagens pediatricamente fundamentalistas, mas é uma mera e simples opinião.

Amamento e adoro fazê-lo. É delicioso o calor morno que se sente no colo e os olhos tenros quase a semi-cerrarem de prazer. É grandioso dar um pouco de mim, da minha imunidade, da minha resistência voraz e do meu amor. É confortável não ter de preparar biberão, carregar leite adaptado e a temperatura estar sempre ideal. É indescritível.

Mas, há quem não possa e também há quem não o queira fazer. Vejo-o como um direito, uma opção válida. Não o critico, porque simplesmente não é criticável.

É, sim criticável, a atitude salazarista de alguns profissionais de saúde que quase apontam o dedo ou desesperadamente estimulam enraivecidos os mamilos ainda não preparados de algumas mães. Aconteceu-me a mim no nascimento do R e por isso falo e posso falar. A angústia, o medo de falhar e o dedo apontado são inevitáveis. A mim apeteceu-me gritar que não dá, não tenho, não consigo, mas não o fiz porque parecia mal, ainda para mais sendo eu Pediatra (mas não fundamentalista).

Caros colegas, deixem o fundamentalismo de parte. Deixem que aconteça se a Mãe quiser, sem impor ou sem olhares de soslaio. É um acto de vida, puro, genuíno e não uma tortura. Não se esqueçam, “a Medicina é como o Amor nem sempre, nem nunca…”

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