Espaço Família | Como Cresceram

Psicologia

20 de Janeiro de 2015

Altos e Baixos da Adolescência

altos e baixos da adolescencia

O Desenvolvimento Social na Adolescência é, na maior parte dos casos, aquele que, per si, gera maiores conflitos no seio familiar e no núcleo dos pares.

No relacionamento com outros jovens da mesma faixa etária, o adolescente enfrenta como principais desafios o contacto e a aprendizagem de padrões comportamentais e de atitudes, segundo as regras dos vários grupos sociais em que se insere. Ele terá de saber ouvir, expressar ideias e opiniões. A compreensão da expressão emocional é vivida, com frequência, com grande dificuldade, advindo daí os “altos e baixos” emocionais da Adolescência. O jovem depara-se muitas vezes com a necessidade de resolver conflitos, de forma autónoma, bem como de negociar compromissos. O passo desejado para a autonomia e para a independência, acompanhado da necessidade de compreensão dos mesmos, num momento de estruturação do auto-conceito e da auto-estima constituem áreas em que, com facilidade, o jovem se sente “embrulhado” num novelo emaranhado.

No relacionamento familiar essa falta de clareza parece ganhar proporções ainda mais significativas. Enquanto continua a desempenhar o papel de filho, o jovem procura conquistar a sua autonomia e independência responsável. Aqui surge o questionamento de regras e valores impostos unilateralmente, surgindo o desejo marcado de participação nas decisões familiares. Daqui se conclui a extrema relevância de, desde cedo, a criança participar, na medida do razoável, nas decisões familiares – sejam elas no que concerne ao jantar, ao local visitado no fim-de-semana ou à escolha da roupa que veste. Este caminhar no sentido da autonomia e da auto-responsabilização é facilitado se iniciado “precocemente”.

É no núcleo familiar que os jovens relatam as suas maiores dificuldades. Se por um lado há o desejo de um afastamento para exploração de novas relações e comportamentos, por outro lado existe a necessidade de saber que o “porto seguro” existe e é desejado pelo jovem, pelos laços de suporte e afecto que representam. Contudo, as possíveis dificuldades em experienciar autonomia e independência, aliadas a estilos parentais excessivamente permissivos ou autoritários (poderá consultar o texto “Que sementes semear”, sobre estilos parentais) podem conduzir a conflitos familiares geradores de angústia, quer para o jovem, quer para os pais.

Poções mágicas para ultrapassar os naturais “soluços” da Adolescência não existem. Mas, garantidamente, a compreensão daquilo que é fruto de um desenvolvimento gradual e expectável, ajudam no encontro de um equilíbrio, dentro de um “desequilíbrio” natural e desejável!

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Inês Afonso Marques

Psicóloga Clínica

Oficina de Psicologia

Coordenadora Mindkiddo – equipa infanto-juvenil