Mães e Pais na 1ª Pessoa

Luana Frei 

Little M

Ai, a tal da maternidade…

Não há mesmo nada como ser mãe. São noites e noites, eternas noites por dormir…são as costas a dar defeito, é a cabeça que nunca para. É a virose que chega, é a sopa rejeitada, é o leite que não entra. São xixis e xixis na cama…dos pais! É o desespero quando correm e gritam, e gritam e correm. Quando choram. Quando armam birras legendárias. São as roupas que deixam de servir, são as roupas por comprar. São papinhas e comidinhas, coisas verdes e laranjas por descascar. Frutinhas passadinhas, e mais tarde cortadinhas. É o vomitado no cabelo, naquela camisa de seda que só é limpa a seco, no tapete bege da sala. É o dormir na própria cama, que nunca, nunquinha corre bem. É o pedinchar pela chupeta, umas 4 horas por dia. São as tapas e empurrões, e algumas rejeições que nos deixam assim-assim…tristinhas. É a casa sempre por arrumar. Biberons por lavar, roupa por passar. É a plasticina colada ao chão. É aquele andar de saltos altos, em plenas ruas portuenses, com a cria ao colo, a sentir a anca a travar, e nem assim perder a paciência. E os gritos…ai, os gritos. Tantos e tantos. De fazer eco na cabeça.

E depois…olho para a minha M, e vejo que o meu mundo é o lugarzinho mais bonito que existe. São os seus sorrisos e risinhos, o saltitar, os passinhos de dança. O desfilar e dar voltinhas quando põe a roupa limpa. São os laços, colares, e pulseiras. É o seu cheiro na almofada. São os abraços, mil e um deles. Os simples, e os apertados. Os mais engraçados são aqueles em que faz “ggggggggrrrrrr”. O som de quem está a fazer muita força para agarrar. São os beijos babados. São os miminhos que me faz no rosto na hora de adormecer, logo a seguir ao “boa noite” e ao “te amo”, com um sotaque meio italiano. São as macaquices de todos os tipos e volumes. São as tentativas de construir frases, metendo mímica ao meio da coisa. São os teatros em frente ao espelho, e as conversas cheias de gargalhadas e dedinhos ao alto. São as palavras novas que arrancam sempre um sentimento de orgulho imenso. É aquele copiar que deixa qualquer mãe de queixo caído. Adoro quando estou a me maquilhar, e a M apanha um pincel e vai seguindo cada passo meu. Se o pai aparece, diz logo: “Matídi pintar cara”! So, so, so sweet. :)

É aquela crise de loucura que segue cada refeição, como se literalmente, tivesse carregado as baterias. Corre de um lado a outro, grita, grita e grita. Se eu pergunto: “Então? O que é isto?!”, responde logo e cheia de sabedoria, “Matídi doida-doida!”. Se lhe pergunto quem é a Matilde, diz que é uma princesa. Se questiono quem é a menina mais bonita do mundo…prontamente sorri e diz o próprio nome. Quando estou a vestir-me para sair, diz que estou “munita”. Sim, bonita. :)

Ai, a tal da maternidade, e o seu tal “padecer no paraíso”. O coração por fim cheio, cheio e cheio. A felicidade sem explicação, o amor incondicional. O sentido de existir em cada campo das nossas vidas. Tudo, tudo, tudo por uma causa. Tudo, tudo, tudo…por eles e para eles: os filhos.

Ai, a tal da maternidade… o eterno estado de graça de uma mulher.

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