Atualidade

21 de Julho de 2014

Adolescentes colaboram menos do que idosos

Os seres humanos são, de uma forma geral, excecionalmente cooperantes quando comparados com outros animais sociais e, segundo um estudo publicado na “Nature Communications” e citado pelo “Público”, essa atitude não depende da idade, exceto em dois casos: nos idosos e nos pré-adolescentes e adolescentes.

Cientistas da Universidade de Barcelona decidiram analisar de que forma a atitude cooperante evolui ao longo da vida, tendo para isso realizado duas experiências, sob forma de um jogo inspirado num exemplo clássico de situação em que as pessoas devem tomar a decisão de colaborar (ou não) com um desconhecido: o chamado “dilema do prisioneiro”.

De acordo com o “Público”, na primeira experiência, a equipa instalou uma dúzia de computadores numa feira de jogos de tabuleiro em Barcelona e recrutou 168 voluntários com 10 a 87 anos de idade entre os visitantes. A segunda experiência decorreu numa escola de Barcelona, junto de 53 alunos com 12 a 13 anos de idade. Na experiência junto do público, os participantes foram distribuídos por grupos em função da idade. A versão do “dilema do prisioneiro” utilizada era a seguinte: ao longo dos 25 rounds que durava o jogo, dois “jogadores” tinham de escolher, em dada situação, entre cooperar e não cooperar, recebendo diferentes recompensas conforme as suas ações. O resultado mais notável desta primeira experiência foi o facto de as decisões dos mais novos serem muito mais imprevisíveis do que as dos outros grupos etários, relata o “Pùblico”.

“Em geral, as pessoas têm em conta o que os outros têm feito quando colaboram, mas os nossos resultados mostram que os adultos também levam em conta as suas próprias ações passadas”, disse Yamir Moreno, coautor da Universidade de Saragoça, acrescentando que “[os adultos] têm tendência para acabar por colaborar; a sua reação é mais previsível e ajuda um pouco a alimentar o espírito de cooperação.”

Já o comportamento dos mais novos não segue este padrão: “Os miúdos são mais voláteis nas suas decisões; não têm uma estratégia definida e a sua cooperação é principalmente condicionada (…) pelas atitudes dos outros. Olham para o que os outros jogadores fazem e reagem de acordo com isso, em vez de serem condicionados pelas suas próprias ações passadas.” Ora, “isso dificulta o desenvolvimento de um ambiente cooperativo.

Outro resultado notável surge na outra extremidade do leque etário: “Os que têm acima de 65 anos parecem ser mais cooperantes do que os dos outros grupos etários”.

A segunda experiência (junto dos alunos de uma escola) permitiu confirmar e afinar o primeiro resultado, relativo aos mais jovens. Aqui, escreve o “Público”, “as crianças foram mais cooperativas, mas o seu comportamento permaneceu igualmente imprevisível”. E enfatiza: “Estes resultados levam-nos a pensar que existe uma componente evolutiva e cultural ao longo do ciclo de vida e que a propensão para colaborar é uma qualidade que pode ser aprendida.”

Fonte | Pais&Filhos