Mães e Pais na 1ª Pessoa

Luana Frei 

Little M

A Questão do ABRAÇO

little17
Ontem à noite, quando estava a tentar chegar à cozinha, a M. não parava de agarrar-me pelas pernas a pedir “baço”. Depois de tentar explicar que a mamã estava a fazer o jantar, sem sucesso, desisti. Sentei-me no sofá e coloquei a pequena ao colo. Imediatamente, ela aninhou-se encostada ao meu peito, num abraço tranquilo. E ali estivemos as duas, entrelaçadas a ver televisão, trocando olhares. Por vezes, a M. virava os olhos para mim e soltava um beijinho.

Neste momento, só conseguia pensar que estava no melhor lugar do mundo. Foi como se um casulo de repente nos abrigasse, longe do tempo e das tarefas. Um cantinho só nosso. Senti-me segura e achei engraçado, porque este deve ter sido o mesmo sentimento passado para ela.

Foi inevitável desenvolver toda uma linha de raciocínio sobre o tema. Estive, cá com os meus botões, a pensar nos abraços que dei, e nos que não dei. Abraço é uma coisa que a gente vai esquecendo quando se torna adulto…porque o dia à dia nos endurece um pouco, porque o tempo é curto, ou apenas porque habituamo-nos a olhar unicamente por nós próprios. Pensei ainda, e já a sofrer, nos abraços que me vão ser negados quando a M. entrar na “aborrescência”, quando tiver as suas crises, quando quiser sair de casa…da mesma forma que eu fiz com os meus pais.

Todo o mundo passa por uma fase assim, é verdade. De querer pouco contacto, de envergonhar-se com o carinho dos pais, de culpá-los por todas as injustiças do planeta. É normal, eu sei. Mas é estúpido e cruel. Só depois de ser mãe, é que vi as coisas assim.

Abraço de filho deveria vir em receita médica. Acho que não há nada melhor para as mazelas do corpo e da alma. Porque abraço cura, minha gente. Abraço aproxima, aconchega, conforta. Abraço de eu te amo, abraço de saudade, abraço de quem pede desculpa, de quem quer ajuda…

Sinto culpa pelos abraços que não dei, neguei, escondi. Principalmente, daqueles que eram para os meus pais. Felizmente, há tempo para voltar a distribuí-los.

E assim o farei. Esta é uma campanha “interna”, só minha, ensinada pela minha filha bebé. Vou abraçar, apertar e aconchegar. Vou apresentar o meu carinho a quem dele precisar. Vou trazer para o casulo. Vou voltar a ser criança muitas vezes. Para aninhar e me deixar sorrir…para soltar as amarras, aliviar a tensão. Para tornar-me veículo de amor.

Li em qualquer lado que “quando abraçamos, a felicidade nos visita por segundos”…e não é?!

Quando estava ali, naquele sofá, dentro do abraço da M., tive vontade de abraçar os meus pais, o meu marido, os meus irmãos, a minha avó Maria, o meu afilhado, algumas tias muito amadas, a minha prima-irmã, umas poucas amigas que estão longe…e difícil foi prender aquelas duas ou três lágrimas, que claramente, escaparam. A minha filha olhou para mim e disse, levando o dedo aos meus olhos: “Ábua, ábua!”. Aí,  um sorriso chegou a correr. :)

No final daqueles minutos de carinho e de reflexão, senti-me maior e melhor. Engrandeci.

E você? Você…você! Aí mesmo! Que está a ler este post! Já abraçou hoje?! 😉
Beijinhos, e um abraço apertado…

http://thelittlem.blogspot.pt/
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