Mães e Pais na 1ª Pessoa

Olga Reis 

O Rei vai Nú

A propósito do post da Sofia, aka 4D

Quando li este post “como estimular um bebé” no 4D, um dos blogues que gosto bastante e costumo ver todos os dias, a minha mente fugiu para o passado, mais precisamente quando a minha Nônô tinha 2 meses e meio e eu estimulava-a com um mobil, um boneco, qualquer outro objecto ou interagia com ela e nada acontecia. Não seguia o boneco, desviava o olhar do quer que fosse e até de mim. Ficava a olhar para a luz ou para o tecto. Mesmo, quando lhe dava de mamar não olhava para mim. Imaginem o susto que não apanhei. M-E-D-O! Falei com a pediatra e ela também concordou comigo, alguma coisa não estava bem!

Foram 3 meses angustiantes de idas à pediatra, pediatra do desenvolvimento e pediatra oftalmológica. Ecografias transfontanelares, exames para detectar epilepsia e outros tantos com nomes que nem lembram a ninguém. Chorava todas as noites, não conseguia dormir, questionava-me de o porquê eu? e já pensava em preparar a família para lhes dizer que a minha Nônô ia ser uma menina especial.
Só a partir dos 6 meses de idade é que se conseguem fazem exames com alguma certeza ao nível oftalmológico e nessa altura tive muito medo, medo de que me fosse dito aquilo que me angustiava e fazia-me sofrer cruamente, que havia uma perturbação de desenvolvimento. Felizmente não! Fiquei TÃO aliviada e TÂO feliz em saber que o problema era apenas a visão. Fiz uma festa! Ao ponto de alguns familiares e amigos me criticarem “então a miúda tem um problema na vista e a mãe está feliz? é maluca, só pode!”.
A nossa história teve um final feliz e sei que existem outros pais que não tiveram a mesma sorte que nós. O que senti naqueles três meses foi de uma dor tão intensa, vazia e dilacerante que quase me permitiu sofrer da mesma forma que sofrem essas famílias e por isso tenho muito respeito por todas elas.
Por um lado foi bom, porque sendo da área e estando informada detectei que havia ali qualquer coisa que não era normal no desenvolvimento, pois era suposto a minha pequena interagir, fixar e seguir objectos (de preferência coloridos), dar atenção ao rosto humano (que é das coisas que eles mais apreciam e gostam de fazer), etc… mas por outro lado sofri muito porque quando se tem conhecimento a mais, pensamos logo no pior. Invejei o não saber e a ignorância, porque houve quem me dissesse “se for uma perturbação de desenvolvimento isso trata-se”. Uma perturbação de desenvolvimento, infelizmente, não se trata, quanto muito tenta-se melhorar a qualidade de vida mas é muito redutor, desesperante e frustrante.
Mesmo assim, considero que é muito importante estarmos atentos e informados (ter noções básicas) do que é esperado um bebé fazer em determinada fase/etapa e de como é igualmente importante estimular o pequeno para como diz a Sofia “intervir tendo em vista o desenvolvimento óptimo”, porque quanto mais cedo for detectado o problema mais facilmente será resolvido, na medida em que também quanto mais cedo ele aparecer, se não for tratado, mais rigidificado se tornará. Não dêem ouvidos a coisas como eu ouvi “ahhh… ainda é muito pequenina, isso depois passa”, “é muito pequenina para ser estimulada” ou “todos os bebés são assim”. E não se fechem em copas, mesmo com muito medo de que o pior possa acontecer, não deixem de pensar nos pequenos e no que é realmente melhor para eles. Sigam o vosso instinto e mantenham-se informados junto de profissionais especializados, escolham um pediatra que confiem a 100%, coloquem as vossa dúvidas (porque ninguém nasce ensinado) e se acharem que alguma coisa não está bem sigam o meu lema: “Antes pecar pelo excesso de zelo do que lamentarem-se toda uma vida por não terem feito algo no início”.
Espero que a Sofia continue a escrever dicas destas porque são uma grande ajuda para os pais.

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