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Saude

4 de Setembro de 2014

A primeira visita ao Médico Dentista

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Pode existir uma tendência para desvalorizar a necessidade de ir ao dentista nos primeiros anos de vida, afinal os dentes vão cair e vão nascer dentes novos. No entanto este pensamento é errado, a base para uma boa dentição definitiva está nos cuidados com a dentição de leite e qualquer alteração nestes dentes pode levar a complicações na dentição adulta. Além disto, a dentição de leite é importante para o desenvolvimento da fala, respiração, mastigação e deglutição. Assim sendo, é importante que as crianças comecem a ir desde cedo ao dentista, sendo a faixa etária aconselhada para a primeira visita entre os seis meses, idade com que nascem os primeiros dentes, e um ano de idade, não devendo nunca ultrapassar os dois anos de idade.

Na primeira consulta, o dentista vai:

– Verificar se as estruturas dentárias estão a crescer e a desenvolver-se de uma forma correta, avaliando variações de tamanho, forma, estrutura, número e cor. Tendo em atenção que o uso constante da chupeta ou o “chupar no dedo” pode ocasionar alterações no modo de encaixe entre os dentes;

– Sensibilizar os pais para questões associadas à alimentação da criança, como por exemplo: a importância da amamentação para o desenvolvimento da arcada dentária; os malefícios do consumo de leite ou água açucarados; os benefícios do consumo de frutas e vegetais, entre outros;

– Explicar a sequência do aparecimento dos dentes e sinais de alerta, como o aumento da salivação, ansiedade e alteração do apetite;

– Ensinar e motivar os pais para a higiene oral dos seus filhos, que nestas idades deve ser feita pelos pais com uma gaze, dedeira ou escova macia, sempre após as refeições, com movimentos circulares suaves, em todas as superfícies dos dentes e junto à linha das gengivas, sendo importante não esquecer escovar a língua. A escovagem dentária deve ser acompanhada até à idade dos 7-8 anos, altura em que as crianças começam a ter destreza para escovarem sozinhos.

– Sensibilizar os pais para os cuidados a ter com a escova, como por exemplo secar sempre a escova com a cabeça para cima; ter o cuidado de trocar a escova quando os filamentos se deformam, entre outros;

Quanto mais tarde a visita ao dentista começar a fazer parte da rotina das crianças, mais comum é estas terem medo. Não só pelos consultórios serem locais estranhos com um conjunto de aparelhos que pode deixar uma criança intimidada, mas principalmente pelas ideias negativas transmitidas. Cabe ao pais agir com naturalidade evitando palavras como dor, medo ou pica e não associar a ida ao dentista a um castigo. Tornar esta visita um hábito familiar, através do acompanhamento dos pais às suas consultas, também pode ajudar a reduzir estes medos.

Por último, é importante referir que as consultas regulares são a melhor maneira de detectar problemas antes que estes se tornem dolorosos ou necessitem de tratamento.

Crónica escrita por:

Dra. Virgínia Martinho

Médica Dentista

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