Mães e Pais na 1ª Pessoa

Lénia Rufino 

Not so fast

A minha Mini

Está feita.

Deitei-me tarde, dormi mal (a ansiedade a dar cartas, claro), acordei às 6:45. Saí de casa uma hora depois (deixei tudo pronto ontem, foi só vestir, fazer o pequeno-almoço e comer), às 8:19 apanhei o comboio. Encontrei-me com a Vanessa e com o marido dela no Pragal, depois de termos combinado encontros no Areeiro, em Sete Rios e em Campolide (que falharam todos, por força das circunstâncias). Muita gente, muita animação, um ambiente fabuloso. Seguimos para a ponte quase sem dar por ela, nas calmas. A entrada para o tabuleiro, apesar de organizada, foi demorada (nota 20 para a segurança, a fazer cumprir as regras e a impedir coisas como entradas sem dorsal ou com dorsais de anos anteriores…). Chegámos à zona das portagens antes das 10. Aquecemos, rimos, conversámos e às 10:30, a partida.

O meu cardiofrequencímetro fez o favor de não me apanhar o ritmo cardíaco, o que me obrigou a parar ainda antes da partida. Activei aquilo e comecei a correr. Primeira missão complicada: furar por entre linhas cerradas de gente que foi para caminhar (nada contra, mas precisam mesmo de formar barreiras que vão de um lado ao outro da estrada, bloqueando completamente a passagem de quem quer correr??). Fui conseguindo. Andei aos ésses, abrandei, tropecei em gente, mas corri sempre.

Já sabia que os primeiros 20′ iam ser críticos. A meu favor, a inclinação do terreno, com muito caminho plano e a descer. Já depois de passar os 4km olhei para o cronómetro e percebi que podia alcançar o meu objectivo: fazer os 5km abaixo dos 30′. Consegui: passei os 5 com 29’16” (o meu tempo anterior foi de 31’31”, na sexta-feira). Comemorei e continuei a correr. A esta altura, a minha cabeça berrou um “pára, já conseguiste o que querias, já podes andar”. O meu coração quis mais. Não parei. Bebi metade de uma saqueta de gel e fiquei à beira do vómito. Abrandei durante dois minutos, entre os meus 43 e os 45. Era isso ou parar mesmo e vomitar.

Tinha visto o percurso. Falava em 7km. Mas, ou eu estava a correr mesmo devagar, ou aquilo tinha mais do que isso. Eu não estava a correr devagar coisa nenhuma. Continuei até à meta. Desliguei o cardiofrequencímetro e a aplicação do telefone.

8,6km em 51’31”. Ritmo médio, 5’59″/km. Extrapolando: mais 1,4km e teria corrido os 10km. Abaixo dos 60′. E é este o meu novo objectivo, agora que sei que consigo correr mais de 5km, agora que já consegui o que queria.

Acabei a prova a explodir de felicidade. As pernas só se fizeram sentir quase uma hora depois, já no autocarro a caminho de Campolide. O que ficou foi uma felicidade enorme. Acreditei em mim e fui capaz. A dada altura, quando os percursos da Mini e da Meia se separam, dei por mim a olhar pata o lado e a marcar encontro ali, do lado da Meia, daqui a um ano. Em 2015, se tudo correr bem, estarei aqui a relatar a minha Meia Maratona. Não sei se será a primeira ou se correrei outra(s) antes disso, mas quero mesmo, daqui a algum tempo, comemorar os 21km. Depois? Logo se vê. Mas se for para ter esta felicidade que senti hoje, venha de lá a Meia… e a Maratona!!

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