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Psicologia

25 de Junho de 2013

A minha mãe tem depressão! E eu?

Hoje li sobre um tema que me deixou inquieta… a depressão. Pensei imediatamente na M. e no B… ter uma mãe presente apesar de ausente deve ser devastador. Espero ter sempre a energia necessária para acompanhá-los! Com este artigo percebi as implicações de uma depressão no desenvolvimento dos filhos …

A presença da mãe para o desenvolvimento e crescimento da criança é de extrema importância. A mãe precisa de energia física e psíquica para acompanhar todas as etapas da vida do seu filho, protegendo-o, traduzindo o mundo e satisfazendo as suas necessidades.
É ela (a mãe) que dá a oportunidade do bebé conhecer o mundo, oferecendo o equilíbrio que a criança precisa para organizar todas as novidades que chegam diariamente.
Se a depressão materna se instala, principalmente se ocorrer na infância ou adolescência dos filhos, um grande impacto no desenvolvimento, seja comportamental ou psicológico, recai sobre eles.
Desde o nascimento que bebé precisa da ajuda da mãe para conseguir sentir-se seguro, confiante e poder desenvolver-se motor e cognitivamente. Uma mãe depressiva nesta etapa torna-se ausente e empobrecida de estímulos para seu filho. O bebé pode demonstrar alguns sintomas de irritação com a atitude depressiva da mãe. É um bebé mais choroso, tem mais cólicas, não tem um contato visual constante com sua mãe ou com estranhos. A interacção deste bebé com o mundo será precária e ele irá identificar-se mais com o rosto de alguém triste do que com um alegre.
Uma criança com uma mãe depressiva apresenta maiores probabilidades de desenvolver alterações emocionais, uma depressão, por exemplo, tal como a mãe.
As mães depressivas têm problemas em impor limites. Tanto podem ser demasiado permissivas, como rígidas. Esta dificuldade faz com que as crianças, principalmente entre os 18 e 42 meses, tenham dificuldade em relacionar-se com os seus pares, criando relações inseguras, desorganizadas e com problemas evidentes no comportamento.
Alguns estudos realizados demonstraram maiores índices de dificuldades escolares, seja por déficit de atenção ou distúrbios de aprendizagem, um maior comportamento de risco e um maior número de acidentes com os filhos de mães depressivas.
Um grupo de pesquisadores publicou um artigo na revista Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry que relatava o comportamento de adolescentes cujas mães apresentavam episódios depressivos. Verificou-se um maior número de consumidores de drogas ilícitas, iniciação precoce da actividade sexual e maiores taxas de abandono escolar.
Os filhos, desde pequeninos, espelham-se bastante no comportamento materno. Protecção, acolhimento, apoio e imposição de limites dados pela mãe são cruciais na formação e consolidação da personalidade das crianças.
Nestes casos o apoio da família, terapêutico e social é um importante suporte para que as mães depressivas possam exercer sua função de protecção em relação aos seus bebés.
Um pai presente poderá amenizar e diminuir os riscos negativos que a depressão materna acarreta na vida dos filhos.
E quanto mais cedo a depressão for tratada, menor será o impacto no desenvolvimento das crianças.

Drª Olga Reis
Psicóloga clínica
oreivainu.blogspot.pt