Atualidade

12 de Setembro de 2014

A lição de Steve Jobs aos pais: “Os meus filhos não usam iPad”

O antigo CEO da Apple disse ao New York Times, em 2010, que o uso de tecnologia por parte dos filhos era limitado. Mas há mais casos de CEOs de empresas de tecnologias com regras apertadas.

É inevitável: quando pensamos na casa de Steve Jobs, o génio criador da Apple, imaginamos iPads e iPods a perder de vista. Uns para usar, outros como meros objetos de decoração e ainda uns quantos a correr pela casa num desvario total — ok, esta última foi exagero. A verdade é que nunca foi assim, conta o New York Times. Porquê? “Limitamos a tecnologia que os nossos filhos usam em casa”, disse Jobs, em 2010.

O antigo CEO da Apple tinha o hábito de ligar para os jornalistas, fosse para elogiar ou para “morder os calcanhares” por alguma crítica. E foi assim que se ficou a saber que a tecnologia era limitada para a criançada. O jornalista criticou num texto o facto de o iPad não suportar vídeos com Flash. Jobs ligou-lhe, pois claro. O autor da crítica tentou então desbloquear a conversa e perguntou se os filhos de Jobs estavam deliciados com o iPad. “Eles nunca o usaram”, respondeu o criador do aparelho.

Aqui está um murro no estômago para todos os pais que deixam os mais pequenos usarem e abusarem daquele dispositivo, certo? Mas há mais. O texto do NYT dá conta de mais CEO’s associados à tecnologia que recorrem ao mesmo tipo de regras. Chris Anderson, o antigo editor da Wired e agora CEO da 3D Robotics, um fabricante de drones, é outro exemplo.

“Os meus filhos acusam-me a mim e à minha mulher de sermos fascistas e demasiados preocupados com a tecnologia”, disse, sobre os cinco filhos, com idades compreendidas entre os seis e 17. “[Fazemos isto] porque vimos os perigos da tecnologia em primeira mão. Eu vi-o em mim, eu não quero que aconteça o mesmo com os meus filhos”. Os perigos de que Anderson fala estão associados a pornografia e bullying por parte de outras crianças ou adolescentes. O receio de que fiquem viciados é outro motivo.

Alex Constantinople, a CEO da OutCast Agency, uma empresa de tecnologia direcionada para a comunicação e marketing, contou que o seu filho de cinco anos não está autorizado a mexer em gadgets durante a semana. Já os outros filhos, de dez e 13, podem brincar com o aparelho mas apenas 30 minutos por dia.

Aos fins de semana o caso muda de figura. Estes pais permitem que os filhos usem o iPad e smartphones entre meia hora e duas horas. Os mais velhos, de dez a 14 anos, têm a permissão para usar o computador à noite em tempo de aulas, mas apenas para fazer trabalhos de casa.

“Nós temos a regra de não haver ecrãs durante a semana”, disse Lesley Gold, a fundadora e CEO da SutherlandGold Group, uma empresa tecnológica para relações públicas. “Mas há que fazer cedências à medida que eles crescem e precisam de um computador para a escola.”

Ali Partovi, o fundador da iLike e conselheiro do Facebook, Dropbox e Zappos, diz que deveria haver uma distinção clara entre passar tempo a “consumir” — a ver vídeos do YouTube ou a jogar — e a “criar” nesses aparelhos. “Assim como eu não sonharia limitar a quantidade de tempo que uma criança pode passar com os seus pincéis, ou a tocar piano, ou a escrever, considero absurdo que se limite o tempo que ela passa a criar arte no computador, editar vídeo ou a programar”, explicou.

Dick Costolo, CEO do Twitter, tem outra forma de operar: os dois filhos adolescentes podem usar os gadgets o tempo que quiserem desde que estejam na sala. “Quando eu estava na Universidade do Michigan havia um rapaz que viva no quarto ao lado do meu e que tinha latas e latas de Coca-Cola e de outros refrigerantes”, começou por contar. “Mais tarde soube que era porque os pais dele nunca o deixaram beber refrigerantes enquanto ele crescia. Se não permites que os teus filhos tenham alguma exposição a estas coisas, que tipo de problemas poderão ter mais tarde?”, questionou.

Depois destas informações todas, o autor do artigo ficou curioso sobre o que fariam os filhos de Steve Jobs, já que não usavam os aparelhos que o pai criara. A resposta chegou por Walter Isaacson, o autor do livro “Steve Jobs”, que passou muito tempo com ele. “Todas as noites o Steve fazia questão de jantar na mesa grande na cozinha deles, a discutir livros e história e uma variedade de coisas”, contou ao NYT. “Ninguém sacou de um iPad ou computador. Os miúdos não pareciam estar viciados, de todo, àqueles aparelhos.”

Fonte | Observador