Mães e Pais na 1ª Pessoa

Lénia Rufino 

Not so fast

A injustiça dos meninos doentes

Podia dizer só isto: é uma injustiça brutal haver meninos doentes. Os miúdos deviam vir programados de origem para nunca adoecerem. Assim uma coisa básica: seres com menos de 18 anos NUNCA adoecem. Parece-me programação genética simples. Ou, não sendo assim tão simples, geneticamente falando, podia ser uma garantia divina do tipo: Deus existe, logo, os meninos não adoecem (ou o contrário: os meninos não adoecem, logo, Deus existe). Mas não vou por aí.

Odeio ver os meus filhos doentes. Sei que faz parte do processo, sei que há coisas que são “fruta da época” e outras que são doenças tipicamente infantis. Mas odeio. Esta manhã a minha filha acordou a vomitar água. Tinha feito a digestão, portanto. Mas nem a água que lhe dei conseguiu segurar no estômago. E vomitou uma data de vezes, apesar de ter pouco para vomitar. Não tinha febre nem se passou mais nada. A meio da manhã conseguiu manter um bocado de pão seco no estômago. Depois almoçou normalmente e o que quer que a tenha feito vomitar parece ter ido embora.

Perante estas pequenas coisas eu começo logo a imaginar-me em cenários apocalípticos. Tenho pavor (não, na verdade tenho PAVOR) de leucemias. E como já deixei de acreditar que só acontece aos outros, tenho um medo terrível de que a coisa um dia me bata à porta. Já todos ouvimos mil histórias de meninos que passaram por este calvário e é impossível não tremer perante a possibilidade de um dia nos calhar a nós. Eu sei que não posso viver a pensar nisto… mas vivo. Tenho medo, pronto. E fico sempre profundamente triste quando sei de algum caso que não correu bem e que teve um final triste. Porque qualquer doença infantil é uma chatice, mas há umas que são verdadeiros tsunamis que destroem tudo e arrasam tudo à sua passagem. E eu acho que isto não devia ser sequer possível.

STAMP produtos BC

Blog Not So Fast