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13 de Outubro de 2014

A importância da congelação de embriões e gâmetas

Desde o nascimento de Louise Brown em 1978 (primeiro bebé que nasceu com recurso às técnicas de reprodução in vitro) que a medicina da reprodução tem evoluído muito. Para mim, uma das maiores conquistas tem sido a técnica da congelação de embriões e de gâmetas (ovócitos e espermatozóides).

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Banco de armazenamento de material biológico.

A congelação do material biológico permite a qualquer indivíduo ou casal aumentar as suas probabilidades de gravidez no futuro. Como já referi num artigo passado, existem vários métodos para congelar o material biológico e o grande avanço destas técnicas foi o aumento das taxas de sobrevivência do material biológico após descongelação.

E porque é importante a congelação? Primeiro porque na maioria dos ciclos de reprodução assistida são criados embriões excedentários (embriões que não são transferidos para a cavidade uterina). Ao congelarmos esses embriões, estamos a permitir aos casais utilizarem os mesmos em novas tentativas de gravidez, aumentando assim as probabilidades de gravidez por tratamento. A congelação de gâmetas também é uma ferramenta valiosíssima pois permite que um indivíduo congele os seus ovócitos ou espermatozóides enquanto jovem para mais tarde os utilizar.

É do conhecimento de todos que a idade em que os casais têm o primeiro filho está a aumentar. Se na década de 70 a mulher tinha o primeiro filho aos 23 anos, hoje em dia a maioria das mulheres não tem filhos antes dos 30 anos (Fontes/Entidades: INE, PORDATA, dados de 30/04/2014). Ou seja houve um atraso de 7 anos. Este facto deve-se à entrada tardia dos jovens no mercado de trabalho (mais concretamente pelo aumento do nível de estudos das mulheres), e na independência económica tardia que os leva a demorar mais tempo até encontrarem as condições propícias para terem descendência. Este atraso na maternidade tem sido uma das razões pelas quais hoje em dia há um aumento do número de casais a procurar ajuda para conseguir engravidar.

Como já referi anteriormente, a capacidade reprodutora da mulher começa a diminuir por volta dos 35 anos. Fundamentalmente porque a qualidade dos ovócitos piora e a reserva ovárica diminui. Por essa razão, a técnica de congelação de ovócitos poderá ser importante para todas as mulheres que se vejam obrigadas a adiar o seu projeto de maternidade pois permite guardar os seus ovócitos enquanto jovens e utiliza-los mais tarde.

Ao congelar os seus ovócitos antes dos 35 anos, a mulher vai preservar a sua fertilidade. Mas atenção que a congelação não garante que a mulher consiga engravidar no futuro! Vai depender entre outras coisas da qualidade que os ovócitos tinham quando foram congelados.

A congelação dos gâmetas é também muito importante para aqueles indivíduos que tem uma doença oncológica e que se vão submeter a tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Sabemos hoje que estes tratamentos vão comprometer a fertilidade dos indivíduos pelo que é aconselhável congelar os gâmetas antes de iniciarem os tratamentos oncológicos. Se quiserem ler mais acerca deste assunto vejam aqui.

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